Copo de 3

04 maio 2016

Herdade do Rocim Reserva 2012

A nova colheita do Herdade do Rocim Reserva vem cimentar aqui que foi dito aquando do lançamento do 2011. Ainda o acho merecedor de mais algum tempo de repouso, com o calor a apertar vem mesmo a calhar e que se volte a abrir lá para finais do ano. Como agora se apresenta, temos um vinho que sabe marcar presença, tem carácter e mostra muita fruta madura num conjunto sólido, com frescura a envolver a boa complexidade que mostra ter. O restante é o caminho natural da harmonia e do entendimento entre tudo o que foi dito e os aromas e sabores que ganhou com a passagem pela madeira, que como vem sendo hábito mostra-se muito bem integrada. No palato sentem-se os taninos a dar ar de sua graça, com tempo vão serenar e arredondar-lhe os cantos e serenar o espírito, que o tem, de bom Alentejano que é. 91 pts

Port and the Douro – Richard Mayson

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Port and the Douro – Richard Mayson
(Infinite Ideias, 2016, 38€)

Correndo o risco de me repetir volto a dizer que num país como Portugal, que conta com património único e do melhor que se faz no Mundo no que a vinhos fortificados diz respeito, custa-me a entender que não haja sequer uma edição actualizada escrita por algum dos especialistas nacionais sobre Vinho do Porto, Vinho da Madeira ou Moscatel de Setúbal. Mas neste caso é sobre o Vinho do Porto e sobre o Douro que incide a crónica, onde uma vez mais temos de agradecer a quem vem de fora e com largas décadas de experiência acumulada a escrever sobre vinhos Portugueses. O autor é Richard Mayson, bem conhecido por obras como Portugal’s Wine and Winemakers, The Wines and Vineyards of Portugal, que agora lança nova edição do seu best-seller Port and the Douro.

Richard Mayson para além de produtor de vinho (Sonho Lusitano) em Portalegre é um profundo conhecedor dos vinhos de Portugal e um especialista no que a fortificados diz respeito, já aqui foi alvo de crónica o seu recente livro dedicado ao Vinho da Madeira. Pois desta vez decidiu lançar uma nova edição do Port and the Douro, uma obra que resulta do trabalho de largos anos a visitar produtores e a provar com eles lado a lado. O resultado está à vista de todos, uma vez mais num belíssimo livro que nos leva a conhecer o fantástico mundo do Vinho do Porto. Uma viagem completa onde nada parece falhar ou faltar, desde a história da região a como tudo começou, ao processo de vinificação e pelos tipos de Vinho do Porto, passeando pelas várias Quintas, vinhas, ou até pelas várias castas nativas da região. É preciosa a ajuda das várias ilustrações e mapas que nos ajudam a situar e perceber o que de forma cativante nos é dado a conhecer. A parte dedicada às vinhas como todo o livro é um exemplo dessa mesma facilidade com que Richard Mayson transmite o seu conhecimento, tal como todos os apontamentos e curiosidades que vão sendo objecto de destaque tal como a parte dedicada aos Homens que Moldaram o Douro.

O livro termina com uma vasta secção dedicada ao Vintage Port que é colocado à disposição de forma gratuita como um Guia de Vintage Port e que já aqui foi alvo de crónica. Embora se encontre agora em nova versão mais actualizada o que mostra ser uma grande mais-valia e ajuda para melhor entender o que caracteriza cada ano com chamadas de atenção para cada colheita, desde 2015 até 1844 o mais antigo provado pelo autor. Podemos encontrar ainda umas breves notas de como guardar, envelhecer e servir o Vinho do Porto, terminando com umas breves notas acerca dos principais produtores. Um livro à imagem do Vinho do Porto, delicioso.

03 maio 2016

Cartuxa 50 Anos branco 2012

Em jeito comemorativo do cinquentenário da Fundação Eugénio de Almeida, nasceu este branco em tudo especial criado pelo enólogo Pedro Baptista. Este branco nasce de um lote de várias castas, entre elas Assario, Arinto e Roupeiro, ganha outra dimensão e feito com fermentação com curtimenta completa durante 25 dias. Sem conhecer o aconchego da madeira o vinho apenas viu o frio do inox. Por instante parei e relembrei-me dos primeiros Pêra Manca branco, mas o aroma deste vinho é algo de diferente, mistura a frescura com um bouquet puro e sensual, notas de bolo de laranja, muitas flores, ligeiro arredondamento e uma energia contagiante. Vinho para a mesa, gastronómico com aquela voracidade natural para peixes nobres no forno, lembrei-me porém de uns achigãs com hortelã da ribeira, foi até à última gota. 94 pts

29 abril 2016

Semana Gastronómica Italiana by Augusto Gemelli - Hotel Tryp Oriente


Decorre de  26 Abril a 6 Maio, no Restaurante Bistro & Tapas do Hotel Tryp Oriente, a Semana Gastronómica Italiana. Para o efeito foi convidado o Chef Augusto Gemelli para criar os menus que vão variando todos os dias. Augusto Gemelli é o grande embaixador da cozinha Italiana em Portugal e também autor do primeiro e único livro de cozinha Italiana editado em Portugal por um italiano. Para quem pensa que conhece a cozinha de Itália e não passa da pizza congelada e das massas com molho de pacote tem agora a melhor maneira possível de poder descobrir a um preço mais que tentador a verdadeira cozinha Italiana. 


De 2ª a 6ª a partir das 13 horas, por 10€ temos direito a Prato Principal, Água, Sobremesa e Café podemos juntar mais 4€ para o Buffet de entradas regionais italianas e caso apeteça por mais 2,50€ podemos ter um copo de vinho do produtor Joaquim Arnaud (nesta semana com a Quinta dos Plátanos branco e tinto). Fui hoje e estava quase cheio o restaurante, bom ambiente com empregados sempre atentos e em autêntico rodopio, nota bem alta para os fantásticos mexilhões gratinados numa ligação perfeita com o Plátanos branco, já como prato principal no menu de hoje a minha escolha recaiu na suculenta e muito saborosa Carbonata de Novilho com Vinho Tinto


Contatos e reservas:
Faça já a sua reserva para uma semana de temática gastronómica com confirmação imediata pelos contactos Tel: 213 930 017 | E-mail: maria.paz@meliaportugal.com

Buffet de entradas regionais italianas - Foto by Augusto Gemelli

25 abril 2016

Porto das 5 by Real Companhia Velha

Porto das 5 by Real Companhia Velha – Foto Cedida por Real Companhia Velha | Todos os Direitos Reservados
O Porto das 5 é um movimento criado pela Real Companhia Velha, que comemora este ano 260 anos da sua fundação e que pretende promover o consumo de Vinho do Porto junto do consumidor. O nome invoca o tão famoso “Chá das 5” levado para Inglaterra por Catarina de Bragança, filha de Dom João IV, casada com Carlos II de Inglaterra. Do dote do seu casamento constava uma caixa de chá, o mesmo chá que Catarina de Bragança já bebia em Vila Viçosa, terra onde nasceu, e que se tornaria no mais britânico de todos os hábitos, o famoso 5 o’clock tea. A explicação desta vontade surgiu na voz de Pedro Silva Reis, filho do actual presidente da Real Companhia Velha e responsável pelo marketing da empresa, que afirma que “Os portugueses estão cada vez mais a despertar para hábitos já bem enraizados noutros países, em que se reúnem depois do trabalho, em bares, wine bars, quiosques e esplanadas, para tomar um copo de vinho, a solo ou harmonizados com snacks ou finger foods”.

O que se pretende com esta iniciativa é que o consumo de Vinho do Porto se torne um hábito à refeição ou até fora dela. A implementação deste “movimento” passa pela criação de cartas de vinhos do Porto com as respectivas sugestões de harmonização, que podem ser pairings de vinho do Porto com queijos, chocolates e, numa vertente não gastronómica, com charutos, entre outros. A oferta será adaptada aos locais onde vai estar disponível, sendo vasta a gama de vinhos do Porto com a assinatura da Real Companhia Velha. Para o demonstrar foram apresentados numa muito interessante harmonização de vários estilos de Vinhos do Porto com as mais variadas combinações e momentos.
 
Real Companhia Velha Vintage 1970 – Foto Cedida por Real Companhia Velha | Todos os Direitos Reservados
Os dois primeiros vinhos a serem sugeridos mostram toda a sua polivalência e são uma excelente porta para o fantástico mundo do Vinho do Porto com preços mais acessíveis aos quais o consumidor sem fazer grande investimento pode chegar e desfrutar em pleno em sua casa. Neste mano a mano, o Royal Oporto Tawny 10 Anos mostra-se fresco e de perfil equilibrado e doce, sem grandes exaltações com muito aroma de fruta passa, resultou em cheio com a proposta apresentada. Já o Royal Oporto L.B.V. 2011 mostra a garra e energia do estilo Ruby, cheio e opulento, reveste totalmente o palato com sabores de frutos silvestres, muito morango, amora, framboesa, num fundo fresco e apimentado. Um vinho mais polivalente e que mostra energia suficiente para acompanhar um bom corte de novilho acabado de sair da grelha.Os últimos vinhos a entrarem em cena foram três Vintages em idade adulta, arrebatadores e memoráveis. Das propostas que foram colocadas na mesa descartei a que remetia para os charutos. Todos os vinhos que aqui coloco foram acompanhados numa base de queijo, seja com Queijo da Serra da Estrela quer com Stilton. O primeiro foi o Real Companhia Velha Vintage 1970 com Pêra-rocha recheada com queijo da Serra, um Vintage a mostrar-se muito envolvente, conquistou no imediato com toques de caramelo, fruta fresca misturada com fruta passa, flores e ligeiro bálsamo. Belíssima presença na boca, muito boa frescura com presença a forrar o palato, cheio de sabor e muito boa persistência, com energia suficiente para ir ao embate com o Queijo da Serra em que a acidez corta a parte mais gorda do queijo enquanto a sensação de untuosidade combina lindamente com o tom mais gordo que nos resta. 

Real Companhia Velha Vintage 1967 – Foto Cedida por Real Companhia Velha | Todos os Direitos Reservados
Para o segundo momento de Stilton com cracker de especiarias e Granny Smith desidratada foi servido o Real Companhia Velha Vintage 1967. Se o anterior Vintage já me tinha deixado rendido aos seus encantos, o que dizer deste que quanto a mim se mostra ainda melhor, um deleite para os sentidos. Enorme elegância e frescura, novamente o caramelo de leite, untuoso, conquistador no imediato. Riquíssima complexidade, tudo muito bonito e aprumado, sério, no palato é largo e persistente, muito saboroso e com enorme persistência. E mesmo com o poderio do Stilton o Vintage 1967 mostrou-se um verdadeiro colosso, ombreando lado a lado, numa combinação também clássica e que novamente mostra a vontade que estes vinhos têm em vir para a mesa dos consumidores fazer destes brilharetes. Termino com um vinho que estava destinado aos fumadores, optei por resgatar o Real Companhia Velha Vintage 1957 e tentar fazer a harmonização com as duas propostas que já tinham sido feitas, sendo que a forma incisiva e acutilante como se mostra, muito mais frescura e menos untuosidade que os dois anteriores fazem dele um vinho indicado para os charutos que do outro lado da sala já fumegavam. No entanto foi com o Silton que mais gostei, o que demonstra a versatilidade do Vinho do Porto nos seus mais distintos estilos e a capacidade de acompanhar desde a refeição a momentos mais festivos até a momentos de pura descontracção a solo. Encontramos às 5 para um Porto?

24 abril 2016

Bridão Reserva branco 2014

No copo o Bridão Reserva branco 2014 da Adega do Cartaxo (Tejo) onde despontam as castas Fernão Pires e Arinto, com fermentação e estágio em barrica de carvalho Francês durante 3 meses. O resultado é um branco a rondar os 7€ que alia o peso da fruta com uma boa frescura e sensação de aconchego conferida pela madeira. O conjunto de aromas é convidativo de tal forma que literalmente sugere uma tarte de limão merengada, tanto em aroma como no sabor, onde a acidez se mostra vincada mas com o espectável arredondamento/cremosidade conferida pela passagem na madeira. Bom a acompanhar peixes no forno ou grelhados com molho de manteiga e limão. 90 pts

22 abril 2016

Hanger steak - Lombelo

Hanger Steak - Lombelo
O Hanger Steak ou Lombelo é um corte proveniente do diafragma do novilho que separado em dois dá origem por um lado ao Lombelo e por outro ao corte chamado de Skirt Steak que iremos ver no próximo artigo. Quanto ao Lombelo, apenas um por animal, é provavelmente dos cortes mais tenros e suculentos, quando preparado devidamente. Uma vez que é uma zona muito irrigada a carne ganha a tonalidade mais escura e também um sabor mais acentuado, convém marinar previamente e posteriormente cozinhar em lume forte. 

Neste caso deixo o aviso, nunca deixar passar o ponto (mal ou médio/mal) pois corremos o risco de ficar com autêntica pastilha elástica no prato, o corte é sempre no sentido contrário da fibra.Este que foi durante muito tempo foi chamado o naco do talhante uma vez que era uma peça que costumava ficar para consumo próprio do talhante. Muito conhecida em França como onglet, Itália como lombatello ou em Espanha como solomillo de pulmón.

Harmonizações: Aqui por casa é costume servir-se na versão Francesa mais popular, lombelo com chalotas, mas também quando o tempo permite ao ar livre com passagem pelo carvão, sempre previamente marinada e acompanhada por molho Chimichurri. Para os mais entusiastas da cozinha a informar que é um corte até pelo tamanho muito recomendável para o "sous-vide" terminando posteriormente na chapa bem quente. Os vinhos neste caso procuro quase sempre com estrutura e taninos ainda presentes, vinhos com energia e muita fruta presente capaz de ligar com os sabores da carne. Para a grelha pede vinhos do Douro ou de terras Alentejanas, enquanto que na versão aqui indicada com chalotas pode surpreender a ligação com um vinho branco com boa acidez ou até mesmo um rosé.

Fotografias divulgadas em vários sites

21 abril 2016

Vidigueira Alicante Bouschet 2014


No Acto IV A Inspiração surge este Vidigueira Alicante Bouschet 2014 (Alentejo) a mostrar todo o temperamento da casta, austeridade a fazer-se sentir com muita fruta madura juntamente com compota, cacau, a precisar de algum tempo no copo porque tudo vem inicialmente muito enrolado num manto bem fresco. Com preço bastante convidativo, ronda os 6€ na loja do produtor, temos um vinho que tem tanto de intenso como de guloso, jovem e pronto para durar em garrafa, numa prova de boca cheia de energia que o remete para acompanhar pratos de bom tempero. 91 pts

19 abril 2016

Luiz Costa Pinot Noir-Chardonnay Bruto 2010

Mais um belíssimo espumante, desta vez da autoria das Caves São João (Bairrada) num lote da colheita de 2010 composto por duas castas que Luiz Costa era admirador confesso, a Pinot Noir e a Chardonnay. Com preço a rondar os 18€, é daqueles espumantes que não nos deixa indiferentes face à qualidade que apresenta. Para além da frescura que lhe percorre todo o conjunto, mostra uma enorme delicadeza no trato, tudo em modo filigrana desde a fruta (citrinos) aos aromas de ligeiro fruto seco e pão torrado.Envolvente e de grande harmonia com ligeira cremosidade a envolver o palato, a frescura percorre cada recanto em final longo e persistente. 93 pts
 
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