Copo de 3

06 dezembro 2017

Casa da Passarella - O Fugitivo Vinhas Centenárias 2013


Vem do Dão e é dos vinhos que de momento mais prazer e gozo me dá a beber. Nasce pelas mãos do enólogo Paulo Nunes na Casa da Passarella, de pequenas parcelas de vinha muito velha. É um daqueles vinhos intemporais, que se bebe com um prazer maior, que nos mete um sorriso alarve e prazenteiro enquanto o rodopiamos no copo e damos mais um gole. É e continuará a ser durante muitos anos, tem estrutura para isso, um grande vinho nacional e que honra a tradição da sua região. A tonalidade é mais aberta, os aromas são puros e invocam o perfil mais clássico da região, embrulhado na frescura natural da Serra com aqueles travos de notas de pinhal e mato rasteiro, frutos do bosque bem ácidos e suculentos, bonita complexidade com tanto ainda para mostrar. Custa coisa de 25€, ao lado assamos uns nacos de vitela à moda de Lafões, acompanhada pela batata como manda a regra, depois servimos este tinto e ficamos em paz. Bem haja. 94 pts

João Portugal Ramos Alvarinho Reserva 2015


Durante largos anos a casta Alvarinho conviveu apenas com o estágio em inox, eram poucos ou quase nenhuns os produtores que ousavam sequer colocar a casta em contacto com a madeira. Os ensaios iam sendo feitos às escondidas com lançamentos algo tímidos e em quantidades quase sempre diminutas. Os primeiros que surgiram apenas fermentavam em barrica e o resto do "trabalho" era para o inox, até que com a aprendizagem que o tempo e a prática dão, começaram a surgir os primeiros Alvarinhos fermentados e estagiados em barrica que hoje se destacam por entre os melhores brancos nacionais. Este é o primeiro Alvarinho Reserva do produtor João Portugal Ramos e resulta de um lote de Alvarinho que fermentou e estagiou em barrica. O resultado é um branco elegante onde o carácter fresco e exuberante da casta se mostra envolta pelo toque aconchegante da madeira, embora muito ligeira. Diz-se bem integrada e concordamos, o resto é a casta no seu melhor e que todos lhe reconhemos quando bem tratada. Um belíssimo vinho com preço a rondar os 18€ para levar à mesa a acompanhar peixes nobres assados no forno. 92 pts

04 dezembro 2017

Manual de Cozinha Asiática por Paulo Morais

Manual de Cozinha Asiática por Paulo Morais
(A Esfera dos Livros, 2017, 25€)


Paulo Morais para além de chef de cozinha é professor na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril desde 1997, onde leciona cozinha asiática e dietetica. Foi o primeiro sushichefe português e é reconhecido como o pioneiro da cozinha asiática em Portugal. Conta com mais de 28 anos de experiência no mundo da cozinha asiática, onde realizou eságios profissionais no Japão, assim como diversas viagens gastronómicas ao sudeste asiático. Ao longo das 256 páginas o autor leva-nos numa viagen de sabores pelo Sudoeste da Ásia – pelo Vietname, Tailândia, Camboja, Laos, Myanmar, Malásia, Indonésia, Singapura e Filipinas.

Depois de explicar a dieta asiática onde uma das principais características é o consumo diminuto de gorduras, é feita a devida apresentação da cozinha de cada um dos 9 países representados no livro. No final temos um pequeno Glossário e as recomendações de locais onde poder comprar os ingredientes mais exóticos que surgem ao longo das 90 receitas. Mas indo ao que interessa, as receitas estão divididas por Peixe, Marisco, Carne, Vegetais, Massas, entre outras sempre acompanhadas de belíssimas fotografias do prato em questão. 

Tirando alguma dificuldade em arranjar ingredientes mais específicos como por exemplo as folhas de pamdam (as lojas sugeridas no final do livro ajudam) as receitas funcionam e quando se podia esperar algo de complicado, são facilmente executáveis. Ora isto é o melhor elogio que se pode fazer a um livro deste tipo, não fosse o seu autor para além de Chef também professor. Juntamos a tudo isto as dicas e pequenas informações que são colocadas junto a cada receita. Um Manual de Cozinha Asiática que para além de se tornar uma referência é também um bilhete para uma fantástica viagem repleta de aromas e sabores.

03 dezembro 2017

José Maria da Fonseca 'Trilogia' Moscatel de Setúbal


A José Maria da Fonseca é o mais antigo produtor de Moscatel em Portugal sendo os vinhos desta casta um dos seus patrimónios mais raros e preciosos que remonta a 1834. O Trilogia é a todos os níveis um vinho único e muito especial, mas também irrepetível, resultante de três das melhores colheitas do século XX, 1900, 1934 e 1965. Os vinhos que dele fazem parte envelheceram em pipas usadas de carvalho até à data do primeiro engarrafamento, foram cerca de 14.000 garrafas que se colocaram no mercado em Outubro de 1999. Agora restam apenas 2400 desta edição rara e especial, que saltam para o mercado com nova imagem e preço a rondar os 300€.

Mas e o que podemos esperar de um vinho como este quando nos cai no copo ? Denso, untuoso, carregado de caramelo e notas de passas de fruta, melaço, frutos secos e a meio termo o toque de vinagrinho para espevitar o nariz, muita harmonia entre acidez/doçura que convidam a sempre mais um trago. A complexidade deste vinho é tremenda sendo capaz de um copo perfumar toda a sala de jantar, muito tabaco, terciários de luxo tal como a prova de boca com uma entrada cheia de força, untuosidade e quase que se mastiga num final interminável. É um vinho que nos faz esquecer do tempo e são poucos os que o conseguem fazer. 99 pts

Permitido branco 2015


Um branco oriundo do Douro pela mão do produtor Márcio Lopes que em vinhas situadas a 700 metros de altitude foi buscar a casta Rabigato para criar este Permitido branco 2015. Apresenta-se com uma bonita austeridade aromática onde a fruta de pomar surge muito sólida e bem madura, boa complexidade com ervas de cheiro num laivo mais fresco e vegetal. Boca a mostrar uma fruta muito limpa em destaque, tenso com muita frescura. e equilibrio, a mostrar uma boa persistência final. O preço ronda os 15€ em garrafeira. 91 pts

02 dezembro 2017

Maçanita Os Canivéis Branco 2015


É certamente um dos grandes brancos que se deram a conhecer este ano, é também uma surpresa e uma confirmação entre tantas outras coisas bonitas que lhe podemos associar. Os irmãos Maçanita (António e Joana) que são também enólogos, reproduziram todo o carácter do vinhedo ancestral dos Canivéis num coro de mais de 17 vozes, leia-se castas, que ecoa no nosso copo. O vinho teve todo o carinho que necessitava, 25% aconchegado em barrica e o restante em inox, deu apenas para 860 garrafas a 25€ a unidade. Bem fresco e elegante, fruta de polpa branca e citrinos a surgirem cheios de vigor, leve tisana de ervas do monte, cêra de abelha num fundo com auteridade mineral. Palato amplo e tenso, com a fruta bem limpa em tons citrinos com enorme frescura, profundo, alguma geleia a meio com austeridade mineral em pano de fundo. Um belíssimo vinho de carácter bem vincado servido a acompanhar uns achigâs grelhados com hortelã da ribeira. 94 pts

29 novembro 2017

Vale dos Ares Alvarinho Limited Edition 2014


Surge como a primeira referência designada Limited Edition do produtor Vale dos Ares, em que a casta protagonista teve direito a 6 meses de estágio em barrica. A produção foi de pouco mais de 300 garrafas com preço a rondar os 15€, que rapidamente voaram das prateleiras. A casta Alvarinho ganha peso e complexidade nos aromas com a estadia em barrica, neste caso temos um vinho que ganhou complexidade, mas manteve a pureza de aromas com toques de alperce e ligeiro citrino. De tom melado deixa-se envolver por uma belíssima frescura, palato rico e de perfil gastronómico. 92 pts

27 novembro 2017

Quinta das Bágeiras Reserva 1987


Este foi o primeiro vinho tinto Quinta das Bágeiras (Bairrada), nascido de um lote de 1987 feito pelo pai e o avô do produtor Mário Sérgio. Proveniente de uma vinha centenária, iria ser vendido na altura às Caves São João, mas Mário Sérgio pediu para ficar com um tonel (o número 12) desse lote. Garrafa aberta pelo produtor e em perfeitas condições, um clássico Bairradino na plenitude das suas faculdades, fina complexidade com aromas frescos, vivos, ao mesmo tempo delicados com notas de pinho e fruta vermelha bem ácida envolta em capa acetinada e doce. Boca cheio de vida, frescura a envolver um conjunto onde a presença da fruta bem ácida se faz notar ao lado de um tom mais vegetal. Um vinho intemporal que nos remete para o melhor que uma região nos tem para dar e mostrar. Toda uma lição. 95 pts

26 novembro 2017

Cartuxa Espumante Reserva Bruto 2010


Feito na Adega da Cartuxa (Alentejo) a partir da casta Arinto, com fermentação a temperatura controlada, efetuada em barricas de caravalho francês. Estágio sobre borra fina durante 6 meses com batônnage periódica. Segunda fermemtação em garrafa pelo método clássico, seguida de estágio sobre borra e batônnages intercalares durante 4 anos, nas caves do Mosteiro da Cartuxa. Degorgement em Novembro de 2015. Aroma dominado pelos citrinos, muito limonado, com muita frescura e uma grande envolvente dada pelos toques de levedura e biscoito de manteiga (sensação de cremosidade/volume). Boca a condizer com o palato dominado por uma acidez bem revigorante, muitos citrinos e envolvente de ligeira mousse que se prolonga num conjunto pleno de grande elegância. Um belíssimo espumante cujo preço ronda os 30€. 93 pts
 
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