Copo de 3

06 dezembro 2016

O Sossego da Herdade do Peso

Situada no Baixo Alentejo, em plena Vidigueira, a Herdade do Peso acaba de colocar no mercado as últimas novidades, de nome Sossego, que se apresentam no formato branco, rosado e tinto. Surgem assim, na Herdade do Peso, os novos vinhos que se situam no patamar imediato ao Vinha do Monte, como vinhos indicados para um consumo mais casual e diário, com uma qualidade interessante para o objectivo pretendido. E é neste sossego por mim tão desejado e que me tem mantido nestes últimos dias bem afastado do reboliço da cidade, que me vou deixando deliciar pelos aromas e sabores dos vinhos que me vão passando pelo copo.

Neste caso é a franqueza de aromas que os domina por inteiro, a frescura em conjunto sempre bem afinado, mostra-se ao lado da fruta (madura e fresca) de intensidade mediana tal como se mostram a nível de corpo. E mesmo neste sossego deseja-se e procura-se alguma irreverência ou mesmo aquele algo mais que faça despontar o interesse naquilo que temos pela frente. Apetecia pois um pouco mais, mas talvez isso fosse pedir o que não se pode dar, ou o que não faz parte da estratégia delineada. Resta-nos, pois, em sossego apreciar estas novas referências:


Sossego branco 2015: num lote tipicamente alentejano com 75% Antão Vaz, 20% Arinto e 5% Roupeiro, fruta fresca e madura de bom nível com exuberância de bom tom, ligeiro floral a fechar o conjunto, algo discreto com boa secura no fundo, mas pronto para a mesa.



Sossego Rosé 2015: feito exclusivamente de Touriga Nacional, bonito na cor e na candura dos aromas, frescos, ligeiros e apelativos, sendo direto na forma como se faz mostrar. Presença mediana no palato sendo a fruta novamente protagonista, calmo, sereno, ligeira secura de fundo num perfil que agrada.


Sossego tinto 2014: criado a partir de um lote de 75% Aragonez, 15% Syrah, 10% Touriga Nacional, com direito a estágio de 6 meses em barrica usada. Muita fruta madura em tom silvestre (amora, framboesa) com o aconchego da barrica, elegância num todo harmonioso. Boca num misto de fruta e frescura, corpo mediano com boa presença.

18 novembro 2016

Antonino Izquierdo Vendimia Seleccionada 2007


Mais um que aguardava serenamente a altura de brilhar à mesa, desta vez com uns pasteis de massa tenra foi a vez deste tinto nascido na Ribera del Duero e criado pelas Bodegas Izquierdo. As vinhas com mais de 40 anos, são 100% Tempranillo e alimentam as duas referências que são criados nesta adega, a filosofia assenta na Biodinâmica. Foram cerca de 10.000 garrafas desta colheita de 2007, um tinto que é criado sem pressas, dono e uma enorme elegância onde a fruta madura, muitos frutos silvestres bem ácidos a marcar a passada de todo o conjunto. Pelo meio juntam-se toques de licor, alcaçuz, especiarias e ligeiro balsâmico, tudo envolvo num tom cremoso com cacau e baunilha. Lado a lado com um Rioja, sente-se a diferença para este Ribera del Duero cujo preço ronda os 30€. É sempre bom saber que a identidade da região está patente num vinho cheio de detalhes, dominado por uma elegância em que alia a acidez da fruta, com um excelente trabalho de barrica que o envolve de forma subtil. 94 pts 

16 novembro 2016

Concurso Escolha da Imprensa - Encontro com o Vinho e Sabores 2016 by Revista de Vinhos


O ‘Concurso de Vinhos “A Escolha da Imprensa” 2016’ organizado pela Revista de Vinhos, teve este ano em prova (cega) quase 350 vinhos de todas as regiões vitivinícolas nacionais, de Trás-os-Montes ao Algarve, passando pelas Ilhas. O concurso teve lugar semanas antes do EVS no hotel The Vintage Lisboa, tendo reunido trinta e seis jurados Este é um marco importante do Encontro com o Vinho e Sabores, momento que aguça ainda mais a curiosidade de produtores e visitantes, que durante o certame têm a oportunidade de comprovar a qualidade dos vinhos vencedores, que foram:

Espumante: Quinta da Calçada Colheita Imperial Reserva
Branco: Dory Regional Reserva branco 2014
Tinto: MR Premium tinto 2012
Fortificados: Kopke Porto Colheita 1966


11 novembro 2016

Duorum 2014


Nova colheita deste vinho do Douro que se vai afirmando, ano após ano, pela sua consistência e qualidade. Localizado no Douro Superior, a Duorum Vinhos mostra-nos com este Duorum 2014 um tinto marcado pelas encostas onde as suas vinhas estão localizadas. A fruta é madura e musculada, embebida em geleia fresca, chocolate negro com bagas bem ácidas espevitam os sentidos com um ligeiro perfume floral no fundo. É um vinho cheio de sabor, bom volume de boca com energia e boa presença. No segundo plano surge tudo aquilo que ganhou com a passagem por madeira, os detalhes que lhe dão um suplemento de alma na bonita complexidade que tem. O preço que não atinge os 10€ é também ele uma boa notícia para quem gosta de bom vinho sem ter de esfolar a carteira. 90 pts

09 novembro 2016

Famille Perrin Réserve Côtes du Rhône Blanc 2014


O vinho em causa não é com toda a certeza o último raio de sol, mas sabe bem e destaca-se pela diferença de aromas e sabores, tendo em conta o que por cá costumamos encontrar. É criado pela família Perrin, cujo nome está associado ao Château de Beaucastel (Chateauneuf-du-Pape) e de onde sai um branco muito especial já aqui mencionado. Nascido como um Côtes du Rhône, o preço ronda os 12€ em garrafeira, resulta de um lote de Grenache Blanc, Marsanne, Roussanne e Viognier. De perfil muito franco, bem definido com ervas aromáticas, floral com tudo muito fresco e bem embrulhado, num misto de fruta de pomar bem madura e sumarenta. Muita harmonia, equilíbrio e frescura no palato, saboroso com ligeira mineralidade a fazer-se sentir no fundo. Acompanhou queijos, enchidos, uma terrina de caça com frutos vermelhos e muita conversa, nem ele se queixou nem nós. 90 pts

07 novembro 2016

Reichsgraf von Kesselstatt Scharzhofberger Riesling Kabinett 2007

Compramos, guardamos e ficamos à espera de uma ocasião especial em que quase sempre o vinho afinou no tempo as  arestas mais espigadas. Este não foge à regra e é daqueles que deviam morar em todas as garrafeiras dos apreciadores de bom vinho. Vem da Alemanha este Riesling com preço a rondar os 17€ a garrafa, mais propriamente do produtor Reichsgraf von Kesselstatt, um dos grandes lá do sítio. Um vinho oriundo de uma vinha mítica, Scharzhofberg, situada numa encosta bem íngreme (inclinação a rondar os 35-60%) e fresca, cujos 6,6 ha são divididos por outros tantos produtores sendo este um dos que mais área detém.

É pois aquilo a que se pode chamar um Kabinett de compêndio, a mostrar aromas delicados, muito focado numa fruta fresca e bem madura (pêra e alperce em calda), ligeiro apontamento mineral em pano de fundo. Grande elegância de conjunto que apetece cheirar uma e outra vez, mostrando um misterioso lado mineral segundo plano. Todo ele muito harmonioso na boca, combina a bela acidez com o notável equilíbrio entre componentes doçura/acidez/fruta. Termina longo e com boa persistência. 92 pts

01 novembro 2016

Cartuxa Colheita Tardia 2011


Um vinho que se insere nas comemorações dos 50 anos da criação da Fundação Eugénio de Almeida por Vasco Maria Eugénio de Almeida. É por isso mesmo um vinho de comemoração, daqueles exemplares raros e únicos que se estimam até ao derradeiro momento de partilha do mesmo. Para muitos que andam mais atentos sabem que não é a primeira vez que a Adega da Cartuxa lança um colheita tardia, remontando as suas primeiras edições aos anos 80. Este segue um caminho diferente e resulta de uma parcela muito especial da casta Riesling que afectada pelo nobre fungo, Botrytis cinerea, da qual se escolheram os melhores bagos a fim de se criar este belíssimo exemplar que na sua fase final estagiou 18 meses em garrafa antes de ser lançado no mercado. Surpreende pela frescura mostrando boa presença de fruta em calda bem fresca, as notas da Botrytis fazem-se notar num conjunto fresco, envolvente e que transmite sensação de untuosidade que no palato ganha outra dimensão de prazer.Com algum tempo no copo expande ligeiramente a sua complexidade, longo, fresco, com um bonito equilíbrio entre doçura/acidez/fruta num conjunto de muita qualidade que nos prende ao copo no final do jantar. Asseguradamente um dos melhores exemplares a ser feito em Portugal, caso tenha a sorte de o encontrar, o preço ronda os 22€ em Garrafeira. 94 pts

31 outubro 2016

Graham´s Colheita 1982


Fundada em 1820, a Graham’s é uma empresa independente, detida a 100% pela família Symington, produtores de Vinho do Porto desde o século XIX e cujos antepassados estiveram na origem das primeiras exportações de Porto em 1652. Para assinalar o nascimento do novo príncipe britânico, George de Cambridge, a Graham´s engarrafou um Porto Colheita de 1982, ano de nascimento do duque e da duquesa de Cambridge – William e Kate. Uma edição comemorativa, muito limitada em termos de quantidade de garrafas, tem um PVP de 120€, formato garrafa 75 cl. O Porto Colheita 1982 envelheceu durante mais de 30 anos em cascos de carvalho avinhados, nas caves da Graham’s.

Sedutor de aroma, complexo e muito preciso nos aromas, com ligeiro toffee a envolver um conjunto de grande classe. Provado recentemente ao lado dos seus irmãos mais velhos, 1952, 1969 e 1972, mostra ser o mais sereno e calmo de todos, aquele onde a frescura se mostra menos espevitada dando uma prova muito elegante e envolvente, num registo mais rechonchudo e cheio de sabor. 94 pts

Barca Velha 2008


Serve este pequeno escrito, apenas como notícia sobre o lançamento daquele que é seguramente o mais aclamado, emblemático e o que reúne sempre um misto de mistério e surpresa na altura do seu lançamento, o Barca Velha. Está pois anunciado o lançamento da mais recente colheita, não porque o mercado pediu mas porque se entendeu que 2008 atingiu a nível de qualidade exigido para ser proclamado como tal. Vai na sua 18ª edição, com esta será a 19ª, atingindo assim a mais que maioridade, deste vinho que nasceu em 1952. Quanto ao preço e a ver pela especulação absurda em torno de vinhos desta natureza, não se espantem se lhe pedirem 300 ou 400€ por uma garrafa.
 
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