Copo de 3: 2017

19 novembro 2017

Grandjó Late Harvest 2013



É a GRANja De Ali (Real Companhia Velha) que dá o nome a este branco doce elaborado a partir de uma criteriosa selecção de uvas da casta Semillon, afectadas por podridão nobre (botrytis cinerea). A localização privilegiada da Quinta do Casal da Granja, no planalto de Alijó, com um microclima muito próprio com manhãs de nevoeiro e tardes quentes e húmidas, criam as condições ideais para o desenvolvimento em algumas parcelas do fungo responsável pela podridão nobre. Tem uma produção que não chega às 6.000 garrafas com preço a rondar os 18€.

Apresenta-se com uma finíssima nota glicérica, com as notas características de Sauternes, tudo muito limpo e de grande qualidade com algum tropical seguido de alperce em calda, ligeira tosta em fundo, com toque de doçura equilibrada no imediato com a sensação de frescura do conjunto, que se repete no palato. Belíssimo equilíbrio do conjunto, fresco, delicado e ao mesmo tempo conquistador num longo e persistente final. 95 pts

Quinta do Noval Colheita 1937


O ano de 1937 foi marcado pela coroação do Rei George VI de Inglaterra, data em que a ponte Golden Gate (São Francisco) foi também inaugurada e J. R. R. Tolkien publica 'The Hobbit'. Apenas um vinho como este Quinta da Noval Colheita 1937 poderia estar à altura de tamanhos acontecimentos. Estrondoso tawny velho a mostrar uma fantástica complexidade, fruto seco, grande definição, especiarias, marmelada, caixa de tabaco e madeira velha. Palato luxuoso, com uma belíssima acidez. Tudo muito equilibrado com camadas de sabor que nos guiam num final interminável e sedutor. 97 pts

18 novembro 2017

Trimbach Riesling 2013


A casa Trimbach produz vinho desde 1626 e cedo ganhou notoriedade pelos seus vinhos. Este Riesling é um clássico cujo preço ronda os 15€. É o que se pode chamar um vinho de compêndio no que toca a conhecer a casta num branco seco. Sem tremores nem quebras a meio caminho, tem tudo no sítio conforme esperado. De perfil seco, mostra-se muito elegante e coeso com as notas da casta bem evidentes (malmequer, lima, alperce) em fundo mineral, tudo muito limpo e bem definido, o tempo deu-lhe o já usual toque de gasolina. Belíssimo corpo com a presença de alguma fruta na vertente mais sumarenta de inicio com alperce e depois mais ácida a lembrar uma rodela de limão, que faz disparar a acidez num final de boca seco e bem persistente. 91 pts

17 novembro 2017

Côto de Mamoelas Bruto Reserva Espumante 2014


A Provam é uma sociedade de 10 vitcultores da sub-região de Monção e Melgaço, que decidiram, em 1992, construir uma adega moderna e funcional para produção de vinhos da casta Alvarinho e de Alvarinho/Trajadura. O seu Vinha Antiga foi um dos primeiros Alvarinhos a ter passagem por madeira e o Portal do Fidalgo Alvarinho é um branco bem conhecido da nossa mesa. Desta vez o que nos cai no copo é o espumante Côto de Mamoelas Bruto Reserva 2014, com preço a rondar os 12€. Aroma delicado com a fruta característica da casta bem presente, tudo muito bem embrulhado numa boa dose de frescura, algum biscoito muito ligeiro a dar um extra de complexidade. Boa frescura de boca com bolha fina, elegante e fresco com a fruta a tomar o controlo das operações, num final seco e prolongado. 90 pts 

16 novembro 2017

Palácio da Brejoeira Alvarinho 2016

O Alvarinho do Palácio da Brejoeira nasceu pelas mãos de Amândio Galhano na colheita de 1976 e cedo ganhou o estatuto entre as referências da altura. Passados 40 anos a realidade trouxe uma nova vaga de produtores e um consequente aumento da oferta/qualidade dos vinhos brancos Portugueses. Abrir nos dias de hoje um Brejoeira é encontrar no copo um vinho que não acompanha os quase 17€ que pedem por ele. É um Alvarinho fresco, de aromas finos e delicados, com pêssego, erva cidreira num conjunto aprumado, ligeiramente citrico com leve secura de fundo e um final mais curto que o desejado. Falta-lhe confirmar no copo um estatuto que já teve e do qual parece viver. 89 pts 

14 novembro 2017

Bebes.Comes Collection 2014


O Pedro e a Joana são um casal apaixonado que queriam ter um vinho. Dessa vontade nasceu um projecto que nos dias de hoje tornou esse sonho uma realidade. Um vinho com conceito, os Collection como lhes chamaram é isso mesmo, uma colecção de vinhos escolhidos pela sua singularidade, terroirs distintos e de certa forma que se desmarcam do trivial. A acompanhar convidam artistas plásticos para vestir as suas garrafas, o resultado é brilhante e digno de colecção, até porque a tiragem é bem limitada (1700 garrafas neste caso). Nesta segunda edição o coube ao artista João Noutel a parte gráfica, enquanto a enóloga Rita Marques foi a autora deste tinto Duriense. 

Vinho raçudo e cheio de energia, muita vida da fruta bem madura e compacta, estevas, notas de grafite com amparo de leve chocolate preto de fundo. Respira-se Douro, ainda cerrado e com alguma austeridade a pedir tempo, na boca está com muita energia, nervo, fundo coeso e apimentado com os taninos a pedirem tempo para se acomodarem. Comprar agora por coisa de 25€ e deixar repousar uns bons anos pois potencial não lhe falta. 93 pts

11 novembro 2017

Chispa Negra El Paso del Tiempo


Um daqueles que bebemos uma vez por sorte e ficamos com ele bem guardado na memória. Antony Terryn nasceu em França mas foi nas suas viagens pelo mundo que decidiu assentar na zona de Toro e ali fazer os seus vinhos no Dominio del Bendito. Numa das suas últimas vindas a Portugal disse-me que tinha algo de muito especial que queria dar a provar. E foi assim que num jantar apresentou em primeira mão este El Paso del Tiempo. A carga emocional da sua explicação está ao nível da qualidade do respectivo vinho, um lote único de 386 garrafas de 50cl a preço de 38€ criado numa unica barrica de 500 litros, da qual se retirou fruto das colheitas 2006, 2008, 2009 e 2011 do Chispa Negra cerca de 184 litros. A barrica foi atestada na mesma quantidade da colheita mais recente.

Como em todos os seus vinhos, destaca-se a pureza da fruta bem carnuda, suculenta e com uma dose de doçura muito equilibrada a contrastar com a frescura, numa complexidade fina e rendilhada que nos prende ao copo. Imagine-se um Porto Vintage ao estilo tinto da Borgonha no estilo menos concentrado mas com uma qualidade muito acima da média. Foi beber até ao fim. 94 pts

09 novembro 2017

Dalva Porto Colheita Branco 2007

A C. Da Silva é uma casa de forte tradição no Vinho do Porto, fundada em 1862, bem conhecida pelos seus fantásticos Golden White de 1952, 1963 e 1971. Em prova temos o Colheita White 2007 que será, daqui por uns largos anos em cascos, lançado na série Golden White. Por enquanto podemos deliciar-nos com esta versão mais jovem de aroma elegante e que mistura citrinos cristalizados e geleia dos mesmos, alperce, algum fruto seco a conferir untuosidade ao conjunto com fundo fresco e doce. É um vinho fantástico, o preço ronda os 25€, indicado para abrilhantar o final de uma refeição e também, uma entrada com o pé direio para quem desconhece este tipo de vinho. 93 pts

07 novembro 2017

Grande Rocim Reserva Tinto 2013


O Grande Rocim apresenta-se apenas nos melhores anos, como o topo de gama da Herdade do Rocim. Criado a partir da casta Alicante Bouschet, afirma-se a cada lançamento como um super vinho, pela sua envergadura, músculo e também finesse com que se apresenta. Se tivermos em conta a prova de excelência que dá neste momento a versão 2009, ficamos com a garantia que são feitos para perdurar no tempo. Este 2013 está ainda com toda a sua força e pujança, o prazer que proporciona é muito, com fruta bem madura, toque balsâmico, fino cacau, conjunto coeso e profundo. Boca de grande impacto com enorme presença a mostrar um vinho poderoso, amplo, fresco, muito boa estrutura com frutos do bosque a explodir de sabor ao lado de algum bálsamo, quase que se mastiga, terminando longo com travo de especiaria. Tudo com grande detalhe, enorme estrutura num conjunto coeso, limpo e fresco. Na linha das anteriores colheitas o preço ronda os 50€ com a garantia que se leva para casa um grande vinho. 95 pts

06 novembro 2017

Cálem Colheita 1989


Nasce nas Caves da Cálem este Colheita 1989, engarrafado em 2010, de aroma convidativo, complexo e sedutor. Marcado pelo fruto seco com alfarroba e figo em passa, muito coeso, ligeiro caramelo salgado, algum verniz e notas licoradas com folha de tabaco seco. Boca cheia de sabor, arredondado de inicio com fresco e prolongado final, onde a secura e a nota de fruto seco predomina, enquanto de inicio nos seduz com notas mais mornas e doces como as passas de figo. Grande harmonia e equilíbrio num conjunto de grande qualidade a dar muito prazer a solo ou à mesa. Compra-se por coisa de 45€ 94 pts.

04 novembro 2017

Cartuxa 50 Licoroso Reserva 2011


Cinquenta anos depois de Vasco Maria Eugénio de Almeida ter criado a Fundação Eugénio de Almeida, para promover o desenvolvimento social, cultural, educativo e espiritual da região de Évora, a Instituição renova-se no compromisso de fazer mais pelas pessoas, para mais pessoas e comemorou o seu cinquentenário. Neste âmbito, foi elaborado este Licoroso a partir das castas Alicante Bouschet e Syrah. O vinho estagiou durante 2 anos em barricas usadas, feitas com a madeira dos antigos tonéis onde estagiava o famoso Pêra Manca. Mostra-se amplo, guloso e com uma bonita frescura que lhe dá graciosidade, muita fruta passa, compotas, alguma canela e cacau. Na boca é um festim de passa de figo com ameixa, guloso, bem marcado pela frescura com final longo, ainda alguma austeridade a fazer-se sentir, mas muito persistente. 93 pts

03 novembro 2017

Aliás branco 2014


É da Bairrada renascida que nos últimos anos surgiram uns quantos novos projectos, como este VPuro, que passo a passo se têm afirmado como referências da região. Este Aliás enquadra-se nesse lote e é disso um puro exemplo. Na alma tem a magia da vinha velha 100% Bical. Mostra-se fino e muito elegante, com aquelas notas de uma evolução que se faz sentir ao de leve na sua complexidade. Um grande branco que gosta de respirar em copo largo, amplo com muita frescura e harmonia nas linhas que cozem os tons florais com os citrinos, a cêra de abelha e aquele toque mais terroso e mineral que se instala no fundo. Na boca replica o apresentado, sério com a austeridade mineral em fundo, pelo meio a pureza da fruta vai abrindo caminho e sorrisos. 94 pts

02 novembro 2017

Vidigueira Signature branco 2016

É recente este Signature da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito (ACVCA), um vinho que apenas pode ser encontrado nas prateleiras da loja da Adega e dos super e hipermercados Continente. Feito a partir de lotes de Antão Vaz, Perrum e Arinto, o Branco Vidigueira Signature 2016 estagiou três meses em barricas de carvalho francês. Assinado pelo enólogo da casa, Luis Morgado Leão o vinho mostra aromas limpos e maduros, muita fruta com laivo tropical e citrino banhados por alguma frescura ao mesmo tempo que o toque da baunilha o envolve. Um branco elegante fácil de se gostar a mostrar qualidade acima da média. O preço ronda os 5€ em campanha de promoção. 89 pts

31 outubro 2017

Henriques & Henriques Terrantez 20 Anos


Sobre a casta Terrantez pairou durante muitos anos a tenebrosa palavra extinção, algo que quase esteve para acontecer embora nos dias de hoje continuam a ser muito poucas as parcelas espalhadas pela ilha da Madeira. Os vinhos a que dá origem são obras de arte, raros e muito procurados, a qualidade dos mesmos ecoa pelos séculos. Não se estranhe portanto que fiquemos rendidos perante um vinho como este 20 Anos Terrantez. Inicialmente com toque salino, iodado e com notas de ranço, entrando de imediato no registo de frutos secos (amêndoa torrada), tabaco doce, caril, laranja cristalizada, ramalhete de flores num bouquet muito rico e complexo. Belíssimo volume, entrada tipo berlinde mais arredondado, belíssima acidez mas ao mesmo tempo untuoso, com um final agri doce e muito prolongado. Daqueles vinhos que quando chega à mesa se torna o rei da noite, fantástico. 95 pts

30 outubro 2017

Henriques & Henriques Verdelho 20 anos


Os Madeira 20 Anos são recentes no mercado, têm a particularidade de as quantidades serem reduzidas e o lote ir variando, por isso alguns são mesmo edições exclusivas e irrepetíveis. Neste caso é um Henriques & Henriques Verdelho 20 Anos, casta que tem a particularidade de conseguir manter durante muito tempo os seus aromas e sabores frutados, algo que se destaca e bem neste vinho de muito bom recorte. Frutos tropicais com maracujá bem fresco, ananás em calda, especiarias, madeira velha, laca, melado, complexo a mostrar harmonia entre concentração e frescura. Boca a condizer, acidez bem presente com sabor inicial a fruta, abrindo depois num conjunto untuoso e com boa concentração, algum fruto seco a complementar, final longo e persistente. 94 pts

26 outubro 2017

Grandes Escolhas – Vinhos & Sabores 2017



São 17 os anos de experiência que a equipa de Luís Lopes e João Geirinhas, ex-directores da Revista de Vinhos e, agora, directores e co-proprietários da Grandes Escolhas, tem na realização do maior evento vínico do país. Um acontecimento muito esperado e que este ano muda de nome, de data e de local. O ‘Grandes Escolhas – Vinhos & Sabores’ vai ter lugar de 27 a 30 de Outubro de 2017 (sexta a segunda-feira), no Pavilhão 4 da FIL – Feira Internacional de Lisboa, no Parque das Nações, onde o maior interface de transportes é uma mais-valia para profissionais, enófilos e fãs da comida regional que atravessa Portugal de lés-a-lés. É caso para dizer que os mais de 6.000 m2 eleitos vão proporcionar uma experiência de ‘Vinhos & Sabores’ à Grande(s Escolhas)!
Horários e preços:
 Sexta, das 18h às 22h; Sábado e Domingo, das 14h às 20h; e Segunda, das 11h às 18h. 
O preço da entrada é de €15 (inclui o copo).

25 outubro 2017

H.M.Borges Pather 1720


É mais conhecido pelas garrafas com a letra P lhe dá o nome de Pather (Father), o Pai, e guarda no seu interior um vinho que tem tanto de especial como de misterioso. Henrique Menezes Borges foi o fundador da empresa H.M.Borges (Madeira) em 1877, viria a falecer em 1916 e como legado para os filhos, deixou um conjunto de vinhos muito especiais e que sempre se recusou a vender (Terrantez 1877, Terrantez 1760, Bual 1780, Sercial 1810, Verdelho 1800 e o Pather 1720). Seria o seu filho João a transferir os vinhos para demijohns em 1930, onde iriam permanecer até que parte deles foi engarrafado após a sua morte em 1989 e distribuído entre os membros da família.

Este misterioso Pather, acredita-se que seja da casta Terrantez, surge com uma fantástica tonalidade ambar de centro mais carregado com rebordo de laivos esverdeados tão caracteristicos destes vinhos centenários. Nariz muito preciso, limpo e delicado, camada após camada num compasso muito certo e de grande complexidade qual bazar do oriente. Divagamos pelos tons de melaço, avelã, toffee e frutas cristalizadas num jogo agri-doce interminável. Na boca torna-se algo de fantástico e inesquecível, toque de toffee a dar as boas vindas e a esbater-se numa fina capa acetinada que cobre o palato, delicado, fresco mas de extrema elegância e persistência. São quase três séculos de história que passaram até o poder ter no copo, inesquecível. 100 pts

Alambre Ice


Foi a partir de uma prova que a equipa de Enologia da José Maria da Fonseca fez de um espumante de Icewine Canadiano, que nasceu a ideia de fazer algo com perfil semelhante, embora da região da Península de Setúbal. Com base num vinho generoso Moscatel Roxo de Setúbal 2005 e após um trabalho árduo de enologia, nasceu o primeiro Espumante Licoroso de Portugal, o Alambre Ice. Devido à grande viscosidade do vinho, são 185 g/l açúcar residual a libertação de bolhas não é visível. No entanto, são percetíveis no paladar, dando o crocante, tão normal em vinhos espumantes. Tudo resumido é muito mais do que uma mera curiosidade, é um miminho bom que se serve no final da refeição ao lado de sobremesas mais delicadas. Notas de geleia de toranja com apontamento de fruto seco, tudo com conta peso e medida. Bem concentrado com a doçura compensada na boca pela boa acidez e pela finissima bolha que lhe dá uma vivacidade inesperada. Ronda os 28€ na loja online do produtor. 91 pts

20 outubro 2017

H.M. Borges Terrantez 1877


A história remonta ao ano de 1877, o ano em que Henrique Menezes Borges fundou a empresa H.M.Borges (Madeira), actualmente gerida pela quarta geração da sua família. Henrique Menezes Borges, dedicou toda a sua vida à procura de uma selecção de vinhos produzidos na Ilha da Madeira, com o intuito de proceder ao seu envelhecimento. Este vinho faz parte, entre outros, da frasqueira particular da família, tendo sido adquirido em 1877 e transferido em 1900 para demijohns de 70 litros. Um vinho que está para além do prazer, é magia pura dentro do copo por todas as sensações que nos envolvem os sentidos. Com uma enorme pureza de aromas, camada após camada mostra-se muito concentrado e com uma complexidade tremenda. A maneira como se afirma no palato num misto de untuosidade e frescura, que se prolonga num tom agridoce, é algo de fantástico e único. 99 pts

19 outubro 2017

Lisboeta : Recipes from Portugal's City of Light


Lisboeta: Recipes from Portugal's City of Light
(Bloomsbury Publishing PLC, 2017, 22,27€)

Há 11 anos a viver em Londres, nomes como O Viajante ou mais recente a Taberna do Mercado, fazem do chef Nuno Mendes um dos grandes embaixadores da cozinha Portuguesa no estrangeiro. Com o seu novo livro de nome Lisboeta, Nuno Mendes que nasceu em Lisboa, torna-se num guia da cidade, das suas histórias, dos seus recantos favoritos ou dos sabores que sempre que volta procura encontrar de novo.

 São ao todo 327 páginas repletas de informação com muitas e boas fotografias mas também com um receituário típico da cidade de Lisboa e que se foi instalando por cá ao longo dos anos fruto das mais variadas influências migratórias. Algumas receitas por vezes são alvo de um toque mais pessoal do chef. Todas as receitas tem uma pequena introdução, por vezes da sua história outras vão buscar as memórias de infância do autor. Desde os pastéis aos salgados, passando petiscos, almço, sandes, jantar e sobremesas.

A escolha varia entre os Jesuitas até aos Travesseiros, passando pelas Empadas de pato em vinha d´alhos, Arroz de marisco terminando numas Farófias. É muito mais que um guia da gastronomina de uma cidade, é o conseguir alimentar a saudade de quem por cá passa.

Cistus Grande Reserva 2009


O Grande Reserva produz-se na Quinta do Vale da Perdiz (Douro) apenas em anos excepcionais. Após a vinificação os lotes são avaliados regularmente durante o estágio em barrica. Os melhores lotes vão sendo seleccionados e após a análise final dos mesmos é tomada a decisão de engarrafar sob a marca Grande Reserva. Das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz nasceu o Grande Reserva 2009 com 21 meses de estágio em barrica e mais 34 meses de estágio em garrafa. Um tinto muito expressivo, opulento e com fruta negra muito madura envolta em notas que vieram da passagem pela barrica (côco, chocolate preto, pimenta) e um fundo onde a sensação de doçura dada pelos 16% VOl. se faz por notar. Intenso, boa frescura e pujança no final de boca mas com um equilibrio que o controla e o torna companheiro à mesa com um bom pernil assado no forno e tudo aquilo a que tem direito. O preço ronda os 20€ por garrafa. 91 pts

17 outubro 2017

Soalheiro Nature Pur Terroir 2016


Preciso e delicado é como se apresenta o primeiro Alvarinho Biológico produzido sem adição de sulfitos. Diferente ou como está na moda dizer, "fora da caixa" se tivermos em conta a maior parte dos Alvarinhos que encontramos no mercado. Não sendo tão expressivo como o Soalheiro normal, não é tão seco como o Granit e é menos complexo que o Terramatter. Pouco consensual entre um grupo de provadores, é o próprio produtor a afirmar este é daqueles que pode ser amado, ou não. Para mim pedia um pouco mais de presença no palato, um pouco mais de nervo capaz de nos espevitar os sentidos. Vamos ver como evolui, por agora ficou algo aquém do esperado, até pelo preço que ronda os 15€ em garrafeira. 89 pts

12 outubro 2017

João Portugal Ramos Alvarinho 2016


A aventura do produtor João Portugal Ramos pela região dos Vinhos Verdes, apesar de recente, confirma-se como mais um sucesso a juntar aos seus 25 anos de carreira. No copo surge o Alvarinho 2016, um branco onde 10% do mosto fermentou em barricas novas o que lhe arredondou ligeiramente o espírito. Temos pois a casta bem presente num conjunto muito preciso, boa exuberância sem excessos da fruta madura (citrinos, tropical), floral mais em segundo plano com uma austeridade muito subliminar. A acidez apesar de presente não é tão vincada como se poderia esperar, permitindo uma abordagem mais serena e de fácil agrado. O preço ronda os 10€. 90 pts

11 outubro 2017

H.M. Borges Sercial 1979


A casta Sercial dá origem ao tipo de vinho da Madeira mais seco, este exemplar da H.M. Borges não lhe foge à regra e surge no copo envolto numa fina película de austeridade. Feitas as apresentações mete ao dispor uma bonita e rica complexidade, inicialmente num tom mais exótico com notas de flores,  maracujá e algum caramelo de leite e amêndoa torrada. Mostra um grande equilíbrio e um toque mais concentrado e guloso que distingue os vinhos desta casa das restantes. Cheio de energia, muito limpo e bem definido, um miminho bom que aconchega o palato com notas de fruta fresca bem ácida, novamente o travo de amêndoa salgada e um agri-doce do maracujá a surgir num longo final. 94 pts

Messias Tradição Baga 2016


Dizem que a primeira impressão é a que mais conta, neste caso confirma-se e não há dúvidas que este Tradição das Caves Messias começa com o pé direito. Surpreende pela tonalidade aberta e pouco concentrada com aquele brilho que nos cativa o olhar. Ainda muito novo, marcado pela força da fruta (silvestre com muitas bagas, ameixa) bem fresca e carnuda. Passou 10 meses em depósito de madeira avinhada que lhe deu um ligeiro arredondamento, com travo a mocha envolto pela energia da fruta, tudo ainda muito novo com os taninos a marcar o ritmo mas ao mesmo tempo a espevitar os sentidos e a vontade de bebericar mais um pouco. Um vinho fora de modas, como manda a tradição. O preço ronda os 10€ na loja da Rota da Bairrada. 90 pts

09 outubro 2017

Vale da Mata branco 2015


A sua qualidade e respectiva consistência colheita após colheita, fazem dele uma referência a ter em conta quando falamos dos melhores brancos da vasta região de Lisboa. É criado nas encostas da Serra de Aire, mais precisamente nas Cortes, com o crivo da Herdade do Rocim (Alentejo). O preço ronda os 8,50€ mas em feira da especialidade consegue-se na casa dos 6,50€. As castas Arinto, Viosinho e Vital tem passagem por cinco meses em madeira que dá ao conjunto uma ligeira tosta, mais quatro meses em garrafa.Conjunto com uma boa acidez, focado na fruta de pomar com citrinos bem frescos, não sendo muito expansivo mostra um bonito floral em destaque com ligeira austeridade mineral de fundo. Boca com frescura a confirmar boa vivacidade onde a fruta ganha mais protagonismo, final de boa persistência num branco que gosta de mesa e de boa companhia. 90 pts

30 setembro 2017

Alvear PX Solera 1927


Este vinho das Bodegas Alvear nasce de uma das Soleras mais antigas da casa, acima deste só o Solera 1830. Não é um vinho datado, apenas contém numa pequena parte do seu lote, vinho do ano 1927. Muito ao jeito da música Depois de Ti Mais Nada (Tony Carreira)este vinho toma conta do palato por completo e esmaga toda a concorrência, mesmo Madeira. Pelas notas já caracteristicas, figo em passa, toffee, licor de café, xarope de caramelo, num todo que surpreende pela frescura que mostra ter. Na boca quando se esperava um total enjoo perante tamanha doçura, eis que a acidez chega de rompante e refresca o palato, prolongando-se pelo final numa surpreendente harmonia que incita a bebericar sempre mais um pouco. Custa pouco mais de 15€ em garrafeira online, mas o aumento da procura faz com que ande quase sempre esgotado. 96 pts

Quinta de San Joanne Escolha 2014



Este Quinta de San Joanne (Casa de Cello) é criado a partir das castas Alvarinho, Avesso, Arinto e Trajadura. Cheio de nervo, dominado pela frescura e acidez acutilante, são os aromas de citrinos (toranja) e frutos de polpa branca que nos acenam no primeiro momento. O fino e delicado rendilhado completa-se com um toque verdasco a lembrar as azedas. Na boca é um mono-carril de acidez e austeridade mineral que lhe marca o tom até ao final. Sai a coisa de 10€ a garrafa na loja do produtor, um branco para ir rodopiando no copo a acompanhar uma boa selecção de sushi. 90 pts

26 setembro 2017

MR Premium Touriga Nacional 2012


Segue na linha dos topos de gama do Monte da Ravasqueira (Arraiolos), este monocasta de Touriga Nacional nascido na colheita de 2012. Após 24 meses de estágio em barrica nova, passou mais 20 meses de pousio em garrafa. Foram cerca de 3500 unidades as que sairam para o mercado, à venda na loja do produtor. É um vinho em fase adulta, na senda da qualidade a que a linha MR nos acostumou, aqui também ele dotado de bom descernimento no que toca a aromas e sabores, mostrando uma Touriga Nacional bem fresca e envolvente, com nota floral, cacau, leve balsâmico e apontamento de grafite no fundo. Bonitas sinergias num conjunto de grande finesse, suportado por uma estrutura que lhe permitirá uma vida tranquila por muitos e longos anos. Elegância e frescura num vinho feito para momentos muito especiais. 93 pts

25 setembro 2017

CARM branco 2016


Este branco da CARM (Douro) nasce no Douro Superior pela mão da família Roboredo Madeira. As uvas das castas Rabigato, Códega do Larinho e Viosinho, foram vinificadas na Quinta das Marvalhas, em Almendra. Apresenta-se com frescura, fruta fina bem elegante e a lembrar citrinos com laivo de vegetal fresco e um ligeiro rebuçado. Tem na sua frescura o seu ponto alto, cativando o palato com aquele toque de rebuçado de limão, mostrando-se um vinho que faz boa companhia à mesa. Preço de 7,39€ em garrafeira. 89 pts

Porta 6 2015


O colorido do rótulo chama a atenção, podia ser na primeira análise um qualquer rótulo criado para uma tasca da moda num qualquer bairro alfacinha. Mas não, é de um vinho criado pela Vidigal Wines na região de Lisboa. Neste caso um lote de uvas de Aragonês, Castelão e Touriga Nacional deram origem a um vinho que custa 2,70€ nas actuais feiras da especialidade. Portanto um vinho acessível, de sabores e aromas onde a fruta compotada abunda, temperado com uma pitada de pimenta preta e envolto com frescura suficiente para não ser enjoativo. Lá no fundo tem aquele toque mais agreste dos taninos marialvas que pedem petisqueira farta na mesa. Por mim pode ser um prato de iscas e umas moelas. 87 pts

22 setembro 2017

Branco dos Poços 2015


A Quinta dos Poços (Douro) fica localizada perto da Vila de Valdigem, no concelho de Lamego, e extende-se ao longo de 25 hectares. O lote desde branco é composto pelas castas Rabigato, Viosinho e Gouveio, tendo direito a um estágio em cuba de inox durante 8 meses. Somos brindados no imediato pela simpatia do rótulo, depois o conteúdo faz o resto. Um branco que cativa pela frescura de aromas e pelo nervo que o segura firme durante o tempo que balança no copo. Lá pelo meio surge um ligeiro travo vegetal acompanhado no fundo com uma ligeira austeridade que lhe assenta tão bem. É branco a pedir mesa com boa comida por perto. 90 pts

19 setembro 2017

BSE branco seco especial 2016


Um clássico da José Maria da Fonseca e assumidamente uma referência para muito consumidor. O preço em promoção rondará os 2.99€ na altura das feiras da especialidade na grande distribuição. Perfil fresco e descomplicado, complexidade pouca mas tudo na medida certa para agradar a acompanhar a refeição. Aquela fruta brincalhona com ponta floral, termina com boa secura, a mesma que o torna bom companheiro à mesa com uma grande variedade de pratos. 88 pts

28 julho 2017

Foz Tua 2014

Pertence ao grupo dos tintos mais vigorosos do Douro sendo aos olhos de alguns "puristas" como vinhos levados a um extremo quase inaceitável.Porém a qualidade está bem patente num vinho que foi pisado em lagar e estagiou 17 meses em barrica, mostrando-se cheio e opulento, fruta bem madura e suculenta apesar do evidente toque de licor, compota, tudo envolto pela madeira e por uma acidez que o aguenta firme e sem tremores. Queira pois um prato de bom condimento como um bom pernil de porco no forno e este tinto fará um brilharete. O preço ronda os 25€ e será certamente vinho para aguentar calmamente a passada do tempo. 92 pts

Casa do Arrabalde branco 2015


Salta no copo este branco carregado de aromas de fruta tropical, citrinos com apontamentos florais, o lote é composto pelas castas Arinto, Avesso e Alvarinho. Passando este impacto inicial o vinho pouco mais tem a dizer, tem a lição bem estudada e mostra-se directo e linear, boa presença de boca em corpo mediano num branco que refresca com predominante citrina a perdurar no final de boca. Um branco que cumpre embora lhe gostasse de ver algo mais de alma e um pouco mais de nervo. O preço ronda os 7€. 88 pts

14 julho 2017

Carvalhas branco 2015

Oriundo da mítica Quinta das Carvalhas (Real Companhia Velha) em pleno Douro e ali bem perto do Pinhão, este branco afirma-se a cada colheita (nasceu em 2010) como um dos grandes exemplares da região. Na sua base as castas Viosinho e Gouveio oriundas de um dos pontos mais altos da Quinta. Estagia cerca de 8 meses em barrica de carvalho francês antes de sair para o mercado. Neste caso é a mais recente colheita, ainda muito novo e a pedir tempo de garrafa. Nota-se que temos um vinho cheio de detalhes e complexidade, onde de momento a madeira doce ainda surge num plano superior ao da fruta e aqui apenas e só o tempo irá conseguir inverter os papeis. De resto temos a fruta acompanhada por notas de baunilha que confere algo de cremosidade, rebatida por um fundo bem fresco e com alguma austeridade mineral. O preço ronda os 25€ e é daqueles vinhos que apetece ter na garrafeira. 94 pts

11 julho 2017

Vinhas Antigas da Beira Anterior by Rui Madeira 2011

Começar pelo fim e dizer que é mais um vinho que passou entre tantos outros sem deixar vontade nem saudade. Não emociona, não cativa nem mete aquela sineta pequenina atrás da orelha a tocar. Um vinho casmurro ou talvez fruto da idade que não sendo muita, parece a responsável para se apresentar destes modos, pouco falador, rugas da idade, conversa com pouco conteúdo e um leve desequilíbrio que o faz cambalear. Dito por outros modos, a fruta surge madura com evidentes toques de licor a envolver um conjunto enfadonho sem grande graça ou complexidade. Esperava-se mais de um vinho que nos aponta para vinhas velhas situadas em altitude e cujo preço atinge quase os 30€. 88 pts

30 junho 2017

Contos de Fadas...


E num piscar de olhos enquanto se beberica mais qualquer coisa para ir mantendo a alma lavada, passou mais um mês. Este que foi de má memória mas que ao mesmo tempo serviu para um renascer de ideias bonitas.


Por entre a escrita e mais algum bebericar, olhamos à volta e constatamos que não se passa nada. E mesmo sem nada se passar a festa dos goblins do bosque lá continua de árvore em árvore, de cova em cova. Criaturinhas de riso irritante, orelhas pontiagudas e língua de prata, cujo único trabalho que se lhes reconhece é levar taças de vinho à boca.

Dar de caras com uma destas criaturas dá azar, diz-se que nos tornamos igual a eles, entorpecemos a escrita e a fala. Ficamos reféns de uma realidade que apenas existe num conto de fadas em que eles participam activamente e para o qual nos arrastam. 

Enquanto vou dando conta do resto de um fantástico Moscatel Superior 2001 da Bacalhôa noto que este será provavelmente o único post do corrente mês. É algo que não estava nos meus plano mas que será devidamente recompensado no mês de Julho.



14 maio 2017

Quinta da Bica Vinhas Velhas 2007


Só produzido em anos especiais, este Quinta da Bica Vinhas Velhas nasce de uma vinha com cerca de 50 anos com várias castas misturadas, onde se destaca a Touriga Naciona, Baga, Alvarelhão, Jaen e Rufete. Antes de ser colocado no mercado por coisa que ronda os 10€, tem direito a um estágio que ronda os 5 anos. Grande elegância num vinho já em fase adulta que a caminho dos 10 anos, rejubila na sua elegância com perfil clássico em grande destaque. Frescura, fruta ácida com bagas bem suculentas, leve caruma de fundo, bosque, bouquet com muita finesse e longo final. Num grande momento de forma, é um digno exemplar da região onde nasceu. 92 pts

12 maio 2017

Terras Altas 2014


O Terras Altas 2014 é um vinho DOC Dão, que nasce de um blend de Jaen, Alfrocheiro e Touriga Nacional, o qual teve um envelhecimento de 2 meses em carvalho americano.A nova imagem deste vinho faz uma justa homenagem a António Porto Soares Franco e a uma cepa pela qual tinha especial afeição, podendo ser visitada na Casa Museu José Maria da Fonseca, em Azeitão. Por um preço a rondar os 4€ temos um vinho bastante directo onde a fruta desponta pela frescura, num todo amaciado pelo tempo. A barrica limou ligeiramente os cantos, num vinho que se mostra bastante cordial e pronto a ser bebido com prazer. 87 pts

29 abril 2017

Atlantis rosé 2015


Num passado recente a casa Blandy (Madeira) recuperou a sua marca Atlantis que fica na história como o primeiro vinho de Denominação de Origem Protegida (DOP) Madeirense, nascido em 1991 na versão branco e rosé em 1992. Criado a partir da casta Tinta Negra, com uvas a terem origem nos viticultores de referência nos vinhedos mais quentes da costa sul de Câmara de Lobos e de Campanário. Surge com uns simpáticos 10,5% Vol. o que se agradece cada vez mais e o atira no imediato para um consumo nos momentos mais quentes do ano. Muito centrado na fruta, bem sumarenta embora delicada e com aquele travo de mar em fundo, mas é a boa acidez em conjunto com a fruta madura e bem torneada, num todo muito equilibrado e ao mesmo tempo delicado. Preço a rondar os 8,50€ num vinho que domina a mesa com enorme polivalência, desde os bichos do mar nas mais variadas maneiras ao mais oriental sushi até ao caril mais exótico. Ou então sirva-se fresco a acompanhar um solarengo fim de tarde. 89 pts 

26 abril 2017

Dönnhoff Niederhäuser Hermannshöhle Riesling Spätlese 2008


O produtor Hermann Dönnhoff (Alemanha) é considerado um dos melhores produtores não só da região do Nahe, como de toda a Alemanha. Este vinho nasce de uma vinha chamada Hermannshöhle (A caverna de Hermes),  uma das mais famosas e aclamadas vinhas da região. A vinha com mais de 60 anos é classificada como Grosse Lage (Grand Cru) e vai buscar o nome Höhle que significa gruta, por causa de uma mina situada na vinha, enquanto Hermann deriva de Hermes, o deus dos mensageiros e viajantes. Os solos são de origem vulcânica com presença de rochas ígneas, proporcionando uma atractiva mineralidade aos vinhos. Neste caso o vinho que apenas passa por inox, é marcado pela mineralidade com uma acidez perfeitamente integrada e que nos deixa rendidos aos encantos do seu perfil ligeiro e ao mesmo tempo concentrado. Muito citrino em calda, maracujá, maçã, fundo com algum fruto seco e o toque apetrolado. Tem brilho próprio na pureza de aromas e de sabores, preciso, intenso e ao mesmo tempo acetinado, palato com ligeira untuosidade onde surge um muito ligeiro toque doce. Daqueles vinhos que se torna mais fácil beber do que descrever, porque o prazer esse é do caraças. 94 pts

24 abril 2017

Dominó Foxtrot 2014


Foi no Parque Natural da Serra de São Mamede (Portalegre) que fomos encontrar Vítor Claro, conhecido pela sua cozinha mas cada vez mais também pelos seus vinhos. Da sua marca mais conhecida, os Dominó, surge nova referência de nome Foxtrot. Nasce de vinhas velhas, situadas a 650 metros de altitude e com uma idade a rondar os 85 anos. Dali utiliza as uvas brancas da vinha que dá origem ao Dominó tinto e parte das tintas que se encontram na vinha do Dominó branco. Parece confuso mas deixa de o ser no exacto momento em que o temos no copo e onde tudo bate certo. Nos seus equilibrados 12% a rusticidade está lá, ao lado da frescura da Serra e de um turbilhão de fruta fresca e bem ácida, lavanda, fundo duro e térreo dos solos ricos em granito. O preço ronda os 10€ e não sendo fácil dar com ele, vale a pena a procura. 91 pts

21 abril 2017

Boina 2015


Uma estreia de um novo produtor oriundo do Douro a partir de duas vinhas velhas, uma perto da Régua e outra no extremo norte da região. Nomes como Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Franscisca, Tinta Carvalha e Souzão, compõem o lote de um vinho que se afasta da Touriga Nacional e da madeira nova, aliás nem sequer passou por ela. Um vinho com nervo e uma estrutura que teve como brinde 20% de engaço, o resto é a fruta silvestre (amora, groselha, mirtilo) bem madura e ácida a brilhar. Se por um lado os aromas vegetais pareciam estar arredados dos vinhos mais modernos, aqui aparece bem fresco naquele quase travo apimentado. Corpo mediano, sem gorduras e bem seco, musculado e muito fresco de sabores vincados no palato, equilibrado e muito porreiro para com ele se acompanhar de umas presas de porco preto na grelha, o vinho depois faz o resto. O preço ronda os 9€, vale o investimento e até um daqueles autocolantes pirosos do escolha acertada ou recomendação da semana. 90 pts

07 abril 2017

Reichsgraf von Kesselstatt Josephshöfer Riesling Kabinett 2007


Rumamos a Mosel (Alemanha), mais propriamente ao encontro com o produtor  Reichsgraf von Kesselstatt, ou simplesmente Kesselstatt, que iniciou sua actividade em 1349. A sua área de vinha ocupa cerca de 36 hectares (12 hectares em cada um dos três importantes vales da região do Mosel: Mosel, Saar e Ruwer). com as vinhas plantadas em encostas, cerca de 60º, com solos de ardósia. O Mosteiro “Josephshöfer” dá o seu nome a uma vinha (classificada como Grand Cru) de apenas 4 hectares, comprada pelo produtor no ano de 1858 e de onde sai este vinho.

Hipnotiza pela bonita tonalidade amarelo dourado, aroma muito limpo com fruta de caroço (alperce, pêssego), citrinos, gengibre fresco e fundo mineral. Boa acidez no palato a dar uma secura que nos faz crescer água na boca, corpo médio muito elegante, saboroso com travo de ligeira untuosidade, fundo com leve apontamento de calda de fruta. Um belíssimo vinho, cheio de carácter e perigosamente viciante de ter no copo. 92 pts

06 abril 2017

Pinhal da Torre Tardio 2010


O Tardio da Pinhal da Torre (Alpiarça) apresenta-se como o Colheita Tardia deste produtor Ribatejano. A casta escolhida foi a Fernão Pires com fermentação em barrica.Longe de ser uma bomba de açúcar mostra-se muito preciso e delicado, com elegância e harmonia entre frescura/doçura. Destacam-se as notas finas de mel que lhe dá untuosidade embrulhando os citrinos em calda, fruto seco e floral ajudam a dar algo mais à fina complexidade do conjunto. O preço ronda os 20€, sirva fresco a acompanhar uma tarte fria de lima ou pêssegos assados com xarope de baunilha. 90 pts

29 março 2017

Jacques Puffeney Arbois Poulsard M 2014


O produtor Jacques Puffeney é considerado por muitos como o grande produtor da região de Jura (França). Correm rumores que caminha para a reforma e como terá deixado parte das suas vinhas a um produtor da região, este 2014 será das suas últimas criações. Elaborado a partir da casta local de nome Poulsard, oriunda das vinhas "especiais" em Montigny-les-Arsures, explica o M no rótulo. Assim que nos cai no copo franzimos o sobrolho, parece sumo de romã e mal levamos ao nariz sai aquele uau de surpresa no segundo seguinte. Tonalidade ruby muito aberto, muito fresco com muita fruta o que é bom com predominante maçã vermelha, cerejas a variar entre as mais ácidas e as mais doces, um misto de tudo misturado com um travo herbáceo bem fresco, chá preto. O fundo é mineral, terroso, áspero, mas tudo o que mostra antes é fresco, cheiroso e de uma enorme afinação. Um mundo que como tantos outros vale a pena ficar a conhecer. 89 pts

Barzen Auslese Feinherb "Edition Alte Reben" 2007


Desafiante é a palavra que melhor descreve este Riesling proveniente de vinhas centenárias plantadas em 1886 na região de Mosel. Num estilo semi-seco é um jogo do gato e do rato entre secura e ponta de doçura da fruta muito limpa e bem madura em tons de nêspera e pêssego de roer. O fundo é seco, em tom mineral com frescura e uma ponta de ligeira untuosidade. Boca a condizer, calmo, sereno com muita elegância e os sabores a desfilarem de pantufas. Num estilo que não cansa e acompanha bem tanto entradas como pisca o olho a pratos de cariz mais oriental, preço a rondar os 20€ em garrafeira online. 90 pts

26 março 2017

Adega de Borba Vinho de Talha 2015


O vinho de talha é um tipo de vinho que sempre fez parte do dia a dia do consumidor de vinhos Alentejano. Este vinho viu-se a dada altura caído no esquecimento e foi afastado pelos tiques do consumidor novo rico de quem apenas procurava a novidade. As talhas foram ficando qual adorno de um tempo que as viu brilhar bem alto, hoje em dia a cobiça voltou e pagam-se pequenas fortunas pelas verdadeiras. Quem não as tem, procura-as ou procura adaptações, um vale tudo para ter aquilo que em muitos casos é "uma espécie de vinho feito num recipiente de barro". Neste caso o vinho é feito à antiga em talhas acostumadas aos aromas e sabores das uvas. O lote leva Trincadeira, Castelão e Alicante Bouschet, o vinho custa na loja da Adega de Borba coisa de 7€ e vale a pena ser descoberto e bebido. Provei no lançamento, ainda muito novo e algo rústico, com arestas por polir cheio das notas de barro húmido, muita fruta com travo fresco e verde de fundo. Agora parece que está ligeiramente mais afinado, mais sereno embora a rusticidade permaneça lá. Sirva-se em jarro como sempre foi servido ao longo dos séculos. 89 pts

25 março 2017

Quinta das Marias Reserva Cuvée TT 2007


Era uma vez um vinho que foi provado na altura do seu lançamento e que me agradou o suficiente para ter guardado algumas garrafas. A última foi esta, passou uma década e achei que seria oportuno ver como estaria de saúde este blend de Touriga Nacional e Tinta Roriz. Do interesse e sorriso que despertou mal caiu no copo, o tempo que veio a seguir apenas o ajudou a desconjuntar, por entre a fruta e os toques florais e frescos com leve balsâmicos vem um beliscão do álcool pouco ou nada prazenteiro. Baralhamos e voltamos a dar, confuso, sem saber por onde andar, os aromas parecem que vão tropeçando uns nos outros, melhor na prova de boca onde se mostra mais assertivo. Foi encostado junto de outros tantos, no final da noite ainda fui ver como estava mas já tinha partido. 88 pts

15 março 2017

Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo 2009


Um dos ícones do Douro, criado por um produtor que está mais que acostumado a criar vinhos de excepção no Douro. É na Quinta da Gaivosa que Domingos Alves de Sousa cria este vinho proveniente de uma só parcela, a Vinha de Lordelo. Um vinho musculado e carregado nos aromas e nos sabores, com uma complexidade rica e adornada pelo tempo que já leva de garrafa. Por entre as notas que invocam mato rasteiro, balsâmico, fruta preta macerada e umas notas mais terrosas em fundo. Como veio de ligação a boa frescura de um conjunto que nunca esconde o lado mais maduro da fruta ao mesmo tempo que se mostra cheio e com notas vigorosas e musculadas. Na boca mostra-se encorpado mas afinado, boa frescura e sabor, não ficamos a chuchar os dedos mas quase, elegância e boa dose de potência num final bem longo. É sempre um prazer revisitar um grande vinho com amigos por perto. 94 pts
 
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