Copo de 3: 2017

22 setembro 2017

Branco dos Poços 2015


A Quinta dos Poços (Douro) fica localizada perto da Vila de Valdigem, no concelho de Lamego, e extende-se ao longo de 25 hectares. O lote desde branco é composto pelas castas Rabigato, Viosinho e Gouveio, tendo direito a um estágio em cuba de inox durante 8 meses. Somos brindados no imediato pela simpatia do rótulo, depois o conteúdo faz o resto. Um branco que cativa pela frescura de aromas e pelo nervo que o segura firme durante o tempo que balança no copo. Lá pelo meio surge um ligeiro travo vegetal acompanhado no fundo com uma ligeira austeridade que lhe assenta tão bem. É branco a pedir mesa com boa comida por perto. 90 pts

19 setembro 2017

BSE branco seco especial 2016


Um clássico da José Maria da Fonseca e assumidamente uma referência para muito consumidor. O preço em promoção rondará os 2.99€ na altura das feiras da especialidade na grande distribuição. Perfil fresco e descomplicado, complexidade pouca mas tudo na medida certa para agradar a acompanhar a refeição. Aquela fruta brincalhona com ponta floral, termina com boa secura, a mesma que o torna bom companheiro à mesa com uma grande variedade de pratos. 88 pts

28 julho 2017

Foz Tua 2014

Pertence ao grupo dos tintos mais vigorosos do Douro sendo aos olhos de alguns "puristas" como vinhos levados a um extremo quase inaceitável.Porém a qualidade está bem patente num vinho que foi pisado em lagar e estagiou 17 meses em barrica, mostrando-se cheio e opulento, fruta bem madura e suculenta apesar do evidente toque de licor, compota, tudo envolto pela madeira e por uma acidez que o aguenta firme e sem tremores. Queira pois um prato de bom condimento como um bom pernil de porco no forno e este tinto fará um brilharete. O preço ronda os 25€ e será certamente vinho para aguentar calmamente a passada do tempo. 92 pts

Casa do Arrabalde branco 2015


Salta no copo este branco carregado de aromas de fruta tropical, citrinos com apontamentos florais, o lote é composto pelas castas Arinto, Avesso e Alvarinho. Passando este impacto inicial o vinho pouco mais tem a dizer, tem a lição bem estudada e mostra-se directo e linear, boa presença de boca em corpo mediano num branco que refresca com predominante citrina a perdurar no final de boca. Um branco que cumpre embora lhe gostasse de ver algo mais de alma e um pouco mais de nervo. O preço ronda os 7€. 88 pts

14 julho 2017

Carvalhas branco 2015

Oriundo da mítica Quinta das Carvalhas (Real Companhia Velha) em pleno Douro e ali bem perto do Pinhão, este branco afirma-se a cada colheita (nasceu em 2010) como um dos grandes exemplares da região. Na sua base as castas Viosinho e Gouveio oriundas de um dos pontos mais altos da Quinta. Estagia cerca de 8 meses em barrica de carvalho francês antes de sair para o mercado. Neste caso é a mais recente colheita, ainda muito novo e a pedir tempo de garrafa. Nota-se que temos um vinho cheio de detalhes e complexidade, onde de momento a madeira doce ainda surge num plano superior ao da fruta e aqui apenas e só o tempo irá conseguir inverter os papeis. De resto temos a fruta acompanhada por notas de baunilha que confere algo de cremosidade, rebatida por um fundo bem fresco e com alguma austeridade mineral. O preço ronda os 25€ e é daqueles vinhos que apetece ter na garrafeira. 94 pts

11 julho 2017

Vinhas Antigas da Beira Anterior by Rui Madeira 2011

Começar pelo fim e dizer que é mais um vinho que passou entre tantos outros sem deixar vontade nem saudade. Não emociona, não cativa nem mete aquela sineta pequenina atrás da orelha a tocar. Um vinho casmurro ou talvez fruto da idade que não sendo muita, parece a responsável para se apresentar destes modos, pouco falador, rugas da idade, conversa com pouco conteúdo e um leve desequilíbrio que o faz cambalear. Dito por outros modos, a fruta surge madura com evidentes toques de licor a envolver um conjunto enfadonho sem grande graça ou complexidade. Esperava-se mais de um vinho que nos aponta para vinhas velhas situadas em altitude e cujo preço atinge quase os 30€. 88 pts

30 junho 2017

Contos de Fadas...


E num piscar de olhos enquanto se beberica mais qualquer coisa para ir mantendo a alma lavada, passou mais um mês. Este que foi de má memória mas que ao mesmo tempo serviu para um renascer de ideias bonitas.


Por entre a escrita e mais algum bebericar, olhamos à volta e constatamos que não se passa nada. E mesmo sem nada se passar a festa dos goblins do bosque lá continua de árvore em árvore, de cova em cova. Criaturinhas de riso irritante, orelhas pontiagudas e língua de prata, cujo único trabalho que se lhes reconhece é levar taças de vinho à boca.

Dar de caras com uma destas criaturas dá azar, diz-se que nos tornamos igual a eles, entorpecemos a escrita e a fala. Ficamos reféns de uma realidade que apenas existe num conto de fadas em que eles participam activamente e para o qual nos arrastam. 

Enquanto vou dando conta do resto de um fantástico Moscatel Superior 2001 da Bacalhôa noto que este será provavelmente o único post do corrente mês. É algo que não estava nos meus plano mas que será devidamente recompensado no mês de Julho.



14 maio 2017

Quinta da Bica Vinhas Velhas 2007


Só produzido em anos especiais, este Quinta da Bica Vinhas Velhas nasce de uma vinha com cerca de 50 anos com várias castas misturadas, onde se destaca a Touriga Naciona, Baga, Alvarelhão, Jaen e Rufete. Antes de ser colocado no mercado por coisa que ronda os 10€, tem direito a um estágio que ronda os 5 anos. Grande elegância num vinho já em fase adulta que a caminho dos 10 anos, rejubila na sua elegância com perfil clássico em grande destaque. Frescura, fruta ácida com bagas bem suculentas, leve caruma de fundo, bosque, bouquet com muita finesse e longo final. Num grande momento de forma, é um digno exemplar da região onde nasceu. 92 pts

12 maio 2017

Terras Altas 2014


O Terras Altas 2014 é um vinho DOC Dão, que nasce de um blend de Jaen, Alfrocheiro e Touriga Nacional, o qual teve um envelhecimento de 2 meses em carvalho americano.A nova imagem deste vinho faz uma justa homenagem a António Porto Soares Franco e a uma cepa pela qual tinha especial afeição, podendo ser visitada na Casa Museu José Maria da Fonseca, em Azeitão. Por um preço a rondar os 4€ temos um vinho bastante directo onde a fruta desponta pela frescura, num todo amaciado pelo tempo. A barrica limou ligeiramente os cantos, num vinho que se mostra bastante cordial e pronto a ser bebido com prazer. 87 pts

29 abril 2017

Atlantis rosé 2015


Num passado recente a casa Blandy (Madeira) recuperou a sua marca Atlantis que fica na história como o primeiro vinho de Denominação de Origem Protegida (DOP) Madeirense, nascido em 1991 na versão branco e rosé em 1992. Criado a partir da casta Tinta Negra, com uvas a terem origem nos viticultores de referência nos vinhedos mais quentes da costa sul de Câmara de Lobos e de Campanário. Surge com uns simpáticos 10,5% Vol. o que se agradece cada vez mais e o atira no imediato para um consumo nos momentos mais quentes do ano. Muito centrado na fruta, bem sumarenta embora delicada e com aquele travo de mar em fundo, mas é a boa acidez em conjunto com a fruta madura e bem torneada, num todo muito equilibrado e ao mesmo tempo delicado. Preço a rondar os 8,50€ num vinho que domina a mesa com enorme polivalência, desde os bichos do mar nas mais variadas maneiras ao mais oriental sushi até ao caril mais exótico. Ou então sirva-se fresco a acompanhar um solarengo fim de tarde. 89 pts 

26 abril 2017

Dönnhoff Niederhäuser Hermannshöhle Riesling Spätlese 2008


O produtor Hermann Dönnhoff (Alemanha) é considerado um dos melhores produtores não só da região do Nahe, como de toda a Alemanha. Este vinho nasce de uma vinha chamada Hermannshöhle (A caverna de Hermes),  uma das mais famosas e aclamadas vinhas da região. A vinha com mais de 60 anos é classificada como Grosse Lage (Grand Cru) e vai buscar o nome Höhle que significa gruta, por causa de uma mina situada na vinha, enquanto Hermann deriva de Hermes, o deus dos mensageiros e viajantes. Os solos são de origem vulcânica com presença de rochas ígneas, proporcionando uma atractiva mineralidade aos vinhos. Neste caso o vinho que apenas passa por inox, é marcado pela mineralidade com uma acidez perfeitamente integrada e que nos deixa rendidos aos encantos do seu perfil ligeiro e ao mesmo tempo concentrado. Muito citrino em calda, maracujá, maçã, fundo com algum fruto seco e o toque apetrolado. Tem brilho próprio na pureza de aromas e de sabores, preciso, intenso e ao mesmo tempo acetinado, palato com ligeira untuosidade onde surge um muito ligeiro toque doce. Daqueles vinhos que se torna mais fácil beber do que descrever, porque o prazer esse é do caraças. 94 pts

24 abril 2017

Dominó Foxtrot 2014


Foi no Parque Natural da Serra de São Mamede (Portalegre) que fomos encontrar Vítor Claro, conhecido pela sua cozinha mas cada vez mais também pelos seus vinhos. Da sua marca mais conhecida, os Dominó, surge nova referência de nome Foxtrot. Nasce de vinhas velhas, situadas a 650 metros de altitude e com uma idade a rondar os 85 anos. Dali utiliza as uvas brancas da vinha que dá origem ao Dominó tinto e parte das tintas que se encontram na vinha do Dominó branco. Parece confuso mas deixa de o ser no exacto momento em que o temos no copo e onde tudo bate certo. Nos seus equilibrados 12% a rusticidade está lá, ao lado da frescura da Serra e de um turbilhão de fruta fresca e bem ácida, lavanda, fundo duro e térreo dos solos ricos em granito. O preço ronda os 10€ e não sendo fácil dar com ele, vale a pena a procura. 91 pts

21 abril 2017

Boina 2015


Uma estreia de um novo produtor oriundo do Douro a partir de duas vinhas velhas, uma perto da Régua e outra no extremo norte da região. Nomes como Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Franscisca, Tinta Carvalha e Souzão, compõem o lote de um vinho que se afasta da Touriga Nacional e da madeira nova, aliás nem sequer passou por ela. Um vinho com nervo e uma estrutura que teve como brinde 20% de engaço, o resto é a fruta silvestre (amora, groselha, mirtilo) bem madura e ácida a brilhar. Se por um lado os aromas vegetais pareciam estar arredados dos vinhos mais modernos, aqui aparece bem fresco naquele quase travo apimentado. Corpo mediano, sem gorduras e bem seco, musculado e muito fresco de sabores vincados no palato, equilibrado e muito porreiro para com ele se acompanhar de umas presas de porco preto na grelha, o vinho depois faz o resto. O preço ronda os 9€, vale o investimento e até um daqueles autocolantes pirosos do escolha acertada ou recomendação da semana. 90 pts

07 abril 2017

Reichsgraf von Kesselstatt Josephshöfer Riesling Kabinett 2007


Rumamos a Mosel (Alemanha), mais propriamente ao encontro com o produtor  Reichsgraf von Kesselstatt, ou simplesmente Kesselstatt, que iniciou sua actividade em 1349. A sua área de vinha ocupa cerca de 36 hectares (12 hectares em cada um dos três importantes vales da região do Mosel: Mosel, Saar e Ruwer). com as vinhas plantadas em encostas, cerca de 60º, com solos de ardósia. O Mosteiro “Josephshöfer” dá o seu nome a uma vinha (classificada como Grand Cru) de apenas 4 hectares, comprada pelo produtor no ano de 1858 e de onde sai este vinho.

Hipnotiza pela bonita tonalidade amarelo dourado, aroma muito limpo com fruta de caroço (alperce, pêssego), citrinos, gengibre fresco e fundo mineral. Boa acidez no palato a dar uma secura que nos faz crescer água na boca, corpo médio muito elegante, saboroso com travo de ligeira untuosidade, fundo com leve apontamento de calda de fruta. Um belíssimo vinho, cheio de carácter e perigosamente viciante de ter no copo. 92 pts

06 abril 2017

Pinhal da Torre Tardio 2010


O Tardio da Pinhal da Torre (Alpiarça) apresenta-se como o Colheita Tardia deste produtor Ribatejano. A casta escolhida foi a Fernão Pires com fermentação em barrica.Longe de ser uma bomba de açúcar mostra-se muito preciso e delicado, com elegância e harmonia entre frescura/doçura. Destacam-se as notas finas de mel que lhe dá untuosidade embrulhando os citrinos em calda, fruto seco e floral ajudam a dar algo mais à fina complexidade do conjunto. O preço ronda os 20€, sirva fresco a acompanhar uma tarte fria de lima ou pêssegos assados com xarope de baunilha. 90 pts

29 março 2017

Jacques Puffeney Arbois Poulsard M 2014


O produtor Jacques Puffeney é considerado por muitos como o grande produtor da região de Jura (França). Correm rumores que caminha para a reforma e como terá deixado parte das suas vinhas a um produtor da região, este 2014 será das suas últimas criações. Elaborado a partir da casta local de nome Poulsard, oriunda das vinhas "especiais" em Montigny-les-Arsures, explica o M no rótulo. Assim que nos cai no copo franzimos o sobrolho, parece sumo de romã e mal levamos ao nariz sai aquele uau de surpresa no segundo seguinte. Tonalidade ruby muito aberto, muito fresco com muita fruta o que é bom com predominante maçã vermelha, cerejas a variar entre as mais ácidas e as mais doces, um misto de tudo misturado com um travo herbáceo bem fresco, chá preto. O fundo é mineral, terroso, áspero, mas tudo o que mostra antes é fresco, cheiroso e de uma enorme afinação. Um mundo que como tantos outros vale a pena ficar a conhecer. 89 pts

Barzen Auslese Feinherb "Edition Alte Reben" 2007


Desafiante é a palavra que melhor descreve este Riesling proveniente de vinhas centenárias plantadas em 1886 na região de Mosel. Num estilo semi-seco é um jogo do gato e do rato entre secura e ponta de doçura da fruta muito limpa e bem madura em tons de nêspera e pêssego de roer. O fundo é seco, em tom mineral com frescura e uma ponta de ligeira untuosidade. Boca a condizer, calmo, sereno com muita elegância e os sabores a desfilarem de pantufas. Num estilo que não cansa e acompanha bem tanto entradas como pisca o olho a pratos de cariz mais oriental, preço a rondar os 20€ em garrafeira online. 90 pts

26 março 2017

Adega de Borba Vinho de Talha 2015


O vinho de talha é um tipo de vinho que sempre fez parte do dia a dia do consumidor de vinhos Alentejano. Este vinho viu-se a dada altura caído no esquecimento e foi afastado pelos tiques do consumidor novo rico de quem apenas procurava a novidade. As talhas foram ficando qual adorno de um tempo que as viu brilhar bem alto, hoje em dia a cobiça voltou e pagam-se pequenas fortunas pelas verdadeiras. Quem não as tem, procura-as ou procura adaptações, um vale tudo para ter aquilo que em muitos casos é "uma espécie de vinho feito num recipiente de barro". Neste caso o vinho é feito à antiga em talhas acostumadas aos aromas e sabores das uvas. O lote leva Trincadeira, Castelão e Alicante Bouschet, o vinho custa na loja da Adega de Borba coisa de 7€ e vale a pena ser descoberto e bebido. Provei no lançamento, ainda muito novo e algo rústico, com arestas por polir cheio das notas de barro húmido, muita fruta com travo fresco e verde de fundo. Agora parece que está ligeiramente mais afinado, mais sereno embora a rusticidade permaneça lá. Sirva-se em jarro como sempre foi servido ao longo dos séculos. 89 pts

25 março 2017

Quinta das Marias Reserva Cuvée TT 2007


Era uma vez um vinho que foi provado na altura do seu lançamento e que me agradou o suficiente para ter guardado algumas garrafas. A última foi esta, passou uma década e achei que seria oportuno ver como estaria de saúde este blend de Touriga Nacional e Tinta Roriz. Do interesse e sorriso que despertou mal caiu no copo, o tempo que veio a seguir apenas o ajudou a desconjuntar, por entre a fruta e os toques florais e frescos com leve balsâmicos vem um beliscão do álcool pouco ou nada prazenteiro. Baralhamos e voltamos a dar, confuso, sem saber por onde andar, os aromas parecem que vão tropeçando uns nos outros, melhor na prova de boca onde se mostra mais assertivo. Foi encostado junto de outros tantos, no final da noite ainda fui ver como estava mas já tinha partido. 88 pts

15 março 2017

Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo 2009


Um dos ícones do Douro, criado por um produtor que está mais que acostumado a criar vinhos de excepção no Douro. É na Quinta da Gaivosa que Domingos Alves de Sousa cria este vinho proveniente de uma só parcela, a Vinha de Lordelo. Um vinho musculado e carregado nos aromas e nos sabores, com uma complexidade rica e adornada pelo tempo que já leva de garrafa. Por entre as notas que invocam mato rasteiro, balsâmico, fruta preta macerada e umas notas mais terrosas em fundo. Como veio de ligação a boa frescura de um conjunto que nunca esconde o lado mais maduro da fruta ao mesmo tempo que se mostra cheio e com notas vigorosas e musculadas. Na boca mostra-se encorpado mas afinado, boa frescura e sabor, não ficamos a chuchar os dedos mas quase, elegância e boa dose de potência num final bem longo. É sempre um prazer revisitar um grande vinho com amigos por perto. 94 pts

Quinta da Alorna Arinto 2015


Oriundo da Quinta da Alorna (Tejo) este Arinto mostra um aroma rico em fruta onde os citrinos e fruta de pomar surge redonda e bem madura, musculado e com algum nervo, muito direto na abordagem embora na boca sem aquela vivacidade tão vincada que caracteriza a casta noutras paragens. Agradável para a mesa num consumo diário, descontraído e descomplicado, será sempre vinho de consumo a curto/médio prazo com preço a rondar os 4,50€. 88 pts

14 março 2017

Morgado de Sta. Catherina Reserva 2013

Nasce na Quinta da Romeira (Bucelas) pertença da Wine Ventures, este Arinto que se pode considerar como um clássico da região, criado pelo enólogo Nuno Cancela de Abreu no início dos ano 90. O vinho que na altura seria a maneira de mostrar a casta Arinto com passagem por madeira, tem seguido fiel à sua matriz com os sempre necessários afinamentos de enólogo para enólogo. Este "novo" Morgado remete para aquilo que sempre foi, um branco que nos mostra a casta Arinto com toda a sua frescura mas que ganha algum peso com a passagem pela madeira, os aromas citrinos e até de alguma folha de limoeiro surgem agora num tom mais gordo a lembrar tarte de limão merengada. Envolvente, a madeira mostra-se presente, secura com mineralidade em fundo, sempre coeso e volumoso, travo de raspa de limão a espicação o palato. Ronda os 10€ e mostra apetência como sempre mostrou para a cave e desde já para a mesa com pratos de peixe ou marisco passado na chapa com molho de manteiga e limão. 92 pts

13 março 2017

Quinta da Boa Esperança Arinto 2015


Projecto recente este da Quinta da Boa Esperança (Lisboa) localizada na Zibreira que fica a meio caminho de Lisboa, ali na zona Oeste entre o Atlântico e a Serra de Monte Junto. Pela prova que deu fica a vontade de ficar a conhecer mais do projecto, neste caso é um 100% Arinto sem passagem por madeira. Temos pois um branco com boa frescura de conjunto, ainda algo preso mas com boas notas de citrino, preciso nos aromas e a pender para o tom mais "limonado" e alguma folha de limoeiro. Na boca mostra boa secura, envolvente e saboroso com fruta presente num conjunto de corpo médio e final prolongado. O preço ronda os 10€ num vinho que será curioso ver a maneira como vai reagir ao tempo em garrafa, para já acompanhe com chocos grelhados e batata a murro. 90 pts 

12 março 2017

Secretum 2012

Mas que bela surpresa este Secretum 2012 proveniente do Douro, um 100% Arinto (Pedernã) pouco usual nesta região. Aroma cheio e com bonita complexidade, mesmo passados cinco anos mostra-se ainda tenso e fechado de inicio, muitos citrinos, tudo muito limpo, elegante com acidez bem presente. Muito boa presença na boca, profundo e com uma bela frescura enrolada em notas de barrica que envolvem o conjunto de muito boa qualidade e elegância. Um vinho com tudo para continuar a sua metamorfose, está de momento tenso e pouco falador, muito coeso e cheio de energia, com muito nervo apoiado por uma belíssima estrutura. O preço ronda os 30€ num vinho que é uma excelente aposta para ter na garrafeira. 91 pts

09 março 2017

Soalheiro Reserva 2015


É desde que foi lançado a primeira vez para o mercado um dos grandes brancos feitos em Portugal, aliando a a bela capacidade de guarda e pela consistência na alta qualidade colheita após colheita. O Soelheiro Reserva 2015 mostra aqui uma fineza de trato irrepreensível, com uma limpeza de aromas muito acima da média, numa harmonia plena entre os aromas da fruta, algum vegetal, flor de laranjeira, as nuances da madeira que lhe dá uma grande elegância mas sempre com a acidez a tomar conta de todo o trajecto. Amplo e cheio de sabor na boca, fresco e profundo, com ligeira sensação de cremosidade dada pela barrica num conjunto muito limpo e cheio de classe. Mostra ter nervo e estrutura para ir brilhando à mesa durante muitos e longos anos, haja pois coragem para conseguir guardar umas garrafas. 95 pts

06 março 2017

Herdade do Arrepiado Velho Antão Vaz 2015


Hora de ira para a mesa e a refeição pede um vinho branco para a acompanhar, atarefado no meio dos tachos lá pedimos que abram um vinho que o arroz de polvo está quase a sair. O copo que nos chega às mãos traz um vinho, este Herdade do Arrepiado Velho Antão Vaz 2015, que é daqueles que nos faz sorrir e lembrar os tempos de miúdo, dos rebuçados de fruta que parecia que moravam no bolso do casaco das pessoas mais velhas. Afasta-me das lembranças de um aroma pesado e enjoativo, pelo contrário é todo ele muito limpo e fresco nos aromas, fruta variada com flores, casca de tangerina, fundo mineral, num aroma divertido e envolto num travo guloso. Na boca quando se esperava um vinho maduro e adocicado surge a finta e encontramos um conjunto bem fresco, corpo mediano e uma boa secura de fundo, no destaque para a baixa graduação (12%) do menino. É daqueles que se bebe mais um e outro copo, bebe-se com prazer, o mesmo prazer com que se partilha e acompanha uma salada de frango grelhado, cenoura, laranja e romã. Ronda os 9€ a garrafa e até pode ter pernas para aguentar um tempo em garrafa, acho é que não as deixo passar do Verão. 90 pts

04 março 2017

Fonte do Ouro Dão Nobre branco 2015


É o primeiro vinho branco a atingir a classificação máxima atribuída pela câmara de provadores da região do Dão, surge por isso designado como Dão Nobre. O vinho é criado pelo enólogo Nuno Cancela de Abreu com base nas castas Encruzado, Arinto e Cerceal, passagem por madeira nova durante seis meses com preço a rondar os 35€ para cada uma das 1200 unidades lançadas no mercado. Não defrauda e apresenta-se com uma enorme elegância e frescura de aromas, cheio, amplo e bem fresco, com a madeira a envolver mas sempre com a frescura do conjunto a sobrepor-se a tudo. Muita fruta madura com destaque para os citrinos, frutos de pomar, bouquet de flores com ligeiro abaunilhado que termina num fundo austero e mineral. É um branco de enorme requinte e categoria que proporciona prazer no copo e à mesa. 95 pts

Colmeal branco 2015

Apaixonado pela mesa e pelas vinhas, o chef Vítor Claro decidiu no final do ano passado encerrar o seu restaurante para se dedicar aos seus vinhos e às suas vinhas na Serra de São Mamede (Portalegre). A ligação à "cozinha" continua para os lados do restaurante do Colmeal Contryside Hotel (Figueira de Castelo Rodrigo) mas são as vinhas de altitude que por lá lhe permitem assinar este Colmeal (Beira Interior). Feito a partir de vinhedo velho, Síria, Malvasia e alguma Fonte da Cal, vinificação em lagares e passagem por inox. Um vinho fora de modas, toques de favo de mel, flores amarelas, fruta de pomar bem limpa e fresca, muita elegância e frescura em conjunto de fundo mineral. Rico em detalhes, amplo com ligeira untuosidade, fruta fresca, austeridade mineral em fundo com boa frescura e presença, o tempo no copo faz com que vá ganhando novas nuances. Daqueles que é melhor não perder de vista e ter algumas esquecidas na cave. 92 pts

03 março 2017

Nossa Calcário 2013


Um 100% Baga da enóloga e produtora Filipa Pato que na Bairrada cria este belíssimo tinto que se apresenta num belíssimo momento de forma. A elegância domina-o por completo, apesar da estrutura firme que o sustenta, depois é toda uma panóplia de aromas frescos e limpos com a fruta (cereja, mirtilo) bem viva ao lado de um toque ligeiro toque terroso. Encontra-se ainda na curva ascendente da sua vida e ganha com um tempo a rodopiar no copo, na boca é um misto de boas sensações em que a elegância se mistura com a frescura e ao mesmo tempo uns taninos finos ainda por polir lhe permitem ter aquele toque tão gastronómico que pede um arroz de pombo bravo com hortelã. O preço anda na casa dos 25/30€ num vinho para guardar ou beber já. 93 pts

02 março 2017

Macán Clásico 2012


É recente o projecto que junta dois grandes nomes do mundo do vinho que dão pelo nome de Benjamin de Rotschild e Vega Sicília. Em conjunto criaram uma adega em plena Rioja, aplicando o costume de Bordéus de ter um primeiro e um segundo vinho, a casta é 100% Tempranillo e os dois vinhos partilham o mesmo vinhedo e o mesmo processo de vinificação. Estes dois irmãos apenas se separam na altura de escolher as barricas, sendo que as melhores dão origem ao Macán e as restantes ao Macán Clásico. Toda a espera até o conseguir ter no copo valeu a pena, as primeiras colheitas voaram e com isso a infelicidade de não conseguir ficar a conhecer este vinho mais cedo. Preço a rondar os 32€ para este vinho da colheita de 2012, ainda muito novo, vivaço, cheio de energia a mostrar um misto entre o perfil mais clássico e o toque mais moderno da região. Bem estruturado, alia a finesse do nariz com uma bela estrutura de boca, com taninos finos mas presentes, madeira em pano de fundo (especiarias, baunilha) a acariciar uma fruta madura e limpa (bagas silvestres) numa bonita complexidade. É daqueles vinhos que ganhando com tempo de garrafa dá prazer desde já  a acompanhar um bom corte de vitela, grelhada de preferência. 93 pts 

28 fevereiro 2017

Herdade do Arrepiado Velho 2015

A Herdade do Arrepiado Velho é um projecto que podemos apelidar de recente no panorama dos vinhos Alentejanos e fica situada bem perto de Sousel. Nasce com vista para a Serra de São Mamede (Portalegre) este vinho 100% Touriga Nacional com passagem por madeira que resulta num todo muito apelativo e prazenteiro. Temos um conjunto compacto onde a fruta (amoras, framboesa) mostra vigor e concentração, embrulhada em frescura com notas de geleia e floral, pleno de juventude e energia, com alguns taninos ainda por polir. Pede pratos de bom tempero embora não vire cara ao tempo de garrafa, com um preço a rondar os 8,50€ será sempre uma boa aposta. 90 pts 

27 fevereiro 2017

Muxagat Xistos Altos Rabigato 2013


Lembro-me bem da primeira colheita que provei deste vinho, agora já vai na versão de 2013 e direi que desta vez já me conseguiu cativar, coisa que não tinha acontecido na sua primeira colheita. O vinho surge de aroma vincado, sem exageros e muito preciso, tenso, cheio de nervo com um fio condutor dominado pela frescura e aromas vegetais a embrulhar a fruta limpa à base de citrinos. Depois é a austeridade mineral que lhe toma conta do fundo de fino recorte, sentindo-se um ligeiro arredondamento. Muita vida na boca, compacto e profundo com uma muito boa secura final a pedir comida por perto. Façamos a vontade e sirva-se com uma caldeta de peixe do rio aromatizada com hortelã da ribeira. 93 pts

25 fevereiro 2017

Monólogo Chardonnay P706 2015


Começo por destacar o bonito rótulo deste Monólogo Chardonnay cujas uvas são provenientes da parcela P706 da Quinta dos Espinhos. Um vinho oriundo da zona de transição entre as regiões dos Vinhos Verdes e o Douro, a mostrar-se dominado pela  elegância com a fruta tropical e de pomar a marcarem presença, ligeira geleia bem fresca num todo bastante harmonioso. Fundo com ligeiro amanteigado a contribuir para uma boa sensação de untuosidade, replica tudo na prova de boca num vinho que alia frescura com elegância, o preço ronda os 7,5€ e mostrou ser uma bela surpresa. 90 pts

Procura branco 2013


Dois anos depois de ter encontrado as vinhas para o Procura tinto, Susana Esteban encontra em Portalegre uma vinha velha de 80 anos com mistura de castas e baixíssima produção situada na Serra de São Mamede. O vinho passa oito meses em barrica usada, mostra-se muito fresco sem que a madeira se faça notar por algum instante, é a fruta (citrinos e pomar) que o domina num fundo austero e mineral. Na boca é muito fresco, fruta a meio tom num conjunto tenso, com nervo e a terminar com boa dose de secura. O preço ronda os 24€. 91 pts

23 fevereiro 2017

Messias Grand Cuvée Blanc de Blancs Bruto 2010


Saltou para a mesa e cativou no imediato pela maneira cuidada como se apresenta, o restou foi uma boa surpresa que este Blanc de Blancs das Caves Messias me proporcionou. Um espumante a mostrar-se bem fresco desde o primeiro instante com a fruta branca bem madura em sintonia com leve nota de biscoito, fruto seco e tosta que lhe confere uma ligeira sensação de cremosidade. Acima da média nos argumentos que mostra de forma firme e convincente, equilibrado, fresco e prazenteiro, daqueles espumantes que por coisa de 15€ fazem um brilharete em qualquer ocasião. 91 pts

Rota da Bairrada Apresenta Cartão de Cliente



A Associação Rota da Bairrada apresenta uma nova ferramenta de fidelização à Bairrada, o Cartão de Cliente. Gratuito, fácil de usar e com vantagens para os seus utilizadores, este cartão pretende estreitar e reforçar a relação entre o cliente e a região que representam, a Bairrada.


No dia 27 de janeiro foi oficialmente lançado o Cartão que pretende aproximar a Bairrada dos seus adeptos. Falamos do Cartão de Cliente da Associação Rota da Bairrada. Pessoal e intransmissível, pode ser solicitado fisicamente num dos Espaços Bairrada ou on-line em loja.rotadabairrada.pt mediante o preenchimento da Ficha de Adesão. De utilização gratuita, este Cartão de Cliente oferece vantagens únicas aos seus aderentes, nomeadamente:
  • Acumulação de pontos nas compras realizadas nos Espaços Bairrada ou no site de e-commerce da Associação loja.rotadabairrada.pt, que posteriormente poderão ser trocados por um ou mais produtos presentes no Catálogo de Pontos Bairrada (1 euro = 1 ponto);
  • Oferta de descontos diretos em compras realizadas apenas nos Espaços Bairrada. Todas as compras realizadas de valor igual ou superior a 100 euros asseguram um desconto de 10% na própria compra; No site de e-commerce - loja.rotadabairrada.pt, e em compras do mesmo valor, 100 euros ou superior, o desconto está implícito na oferta dos custos de transporte;
  • Oferta de descontos diretos, promoções e/ou campanhas temáticas associadas aos produtos e/ou serviços comercializados pelos Associados da Rota da Bairrada;
  • Oferta de descontos nas atividades organizadas pela Rota da Bairrada ? que serão variáveis e comunicados aquando do lançamento das diferentes atividades;
  • Acesso a informação privilegiada sobre as atividades, os produtos comercializados pela Associação, assim como ofertas e promoções exclusivas a clientes com cartão Bairrada;
  • Oferta de surpresa (produto/vale/desconto) no aniversário do cliente aderente.
O Cartão de Cliente pretende potenciar a relação da Associação com os seus clientes reforçando a sua preferência pela escolha dos produtos e serviços comercializados pela Rota da Bairrada e pelos seus diferentes Associados- Produtores de Vinho, Restaurantes, Hotéis, Municípios, Entidade Turismo do Centro e Comissão Vitivinícola da Bairrada. Isento de validade o Cartão de Cliente mantém todas as regalias em vigor em qualquer altura da sua utilização. Fidelização à região é o mote que inspira o lançamento do Cartão de Cliente que premeia o seu utilizador pela escolha da região Bairrada.

Adira já ao Cartão Cliente»

22 fevereiro 2017

Fonte do Ouro Grande Reserva 2013


Nuno Cancela de Abreu é um dos melhores e mais importantes enólogos a nível nacional, a sua carreira estende-se por mais de 25 anos por entre várias regiões e produtores. Teve um papel fundamental em muitos por onde passou, por exemplo em Bucelas onde criou as marcas Prova Régia e Morgado de Sta. Catarina, ajudando a catapultar a casta Arinto para a ribalta. A sua influência passou também pelo Ribatejo onde teve um papel importante na revitalização da Quinta da Alorna. Mas é no Dão e mais propriamente na Quinta da Fonte do Ouro (Nelas) que vamos centrar as atenções. O vinho em causa é o novo topo de gama do produtor, um Quinta da Fonte do Ouro Grande Reserva tinto da colheita de 2013, com preço a rondar os 35€. Criado a partir do lote das castas Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz, um puro sangue do Dão, corre-lhe pelas veias a terra onde nasceu mostrando-se ainda jovem mas com uma enorme elegância e frescura de conjunto. A fruta bem fresca e ácida nas várias nuances de frutos silvestres, não falta o fundo mineral, o toque de mato rasteiro, a caruma e o balsâmico com alguma barrica pelo meio. Taninos a comandar a prova na boca, fresco, amplo, belíssima estrutura suportada por uma fruta fresca e bem limpa. A elegância e frescura são pontos de ordem num vinho com nervo que dá um tremendo prazer a beber desde já com pratos de bom tempero ou daqui por alguns anos. 94 pts

Gosset Grand Blanc de Blancs Brut Champagne


A Gosset é considerada a mais antiga casa de Champagne (1584), este exemplar em prova é um Blanc de Blancs (100% Chardonnay) e chega a Portugal pela mão da Garcias, com um preço em loja a rondar os 60€. Pensem numa espada samurai, este vinho mostra-se extrema elegância mas com uma acutilância e precisão que o domina por completo, com uma pureza de aromas e sabores muito acima da média. Depois é um desfile de classe com um bouquet cheio de fruta branca, casca de limão, flores brancas com ligeiras notas de levedura em fundo. A acidez revigora o palato, sem cansar é a acutilante acidez que tem que numa fina austeridade mineral aporta boa dose de secura. Estrutura firme, elegante e a pedir mesa por perto onde certamente brilhará com umas ostras ao natural. 94 pts

18 fevereiro 2017

Pinhal da Torre Syrah 2013


Nascido e criado em Alpiarça mais propriamente na Pinhal da Torre, este Syrah cujo preço ronda os  25€ e afirma-se e conquista no imediato pela enorme qualidade. Sem excessos, soube deixar as gorduras e as doçuras de lado, é um atleta de alta competição com músculos bem torneados e com uma taxa de gordura muito baixa. Será de esperar pois então um perfil de grande frescura, bom de cheirar com a fruta bem fresca e ácida, madeira aporta a complexidade necessária para o elevar a uma dimensão superior de qualidade. Saboroso e a saber conjugar elegância com uma boa carga de energia, fruta a explodir de sabor, estruturado mas firme e muito tenso, feito para ser bebido agora ou durar por muitos anos. Atinge uma dimensão que é rara encontrar por Portugal em vinhos desta casta e por momentos remete-nos para outras paragens. 95 pts

17 fevereiro 2017

Ponto Cego branco 2014

Damos um salto até à região dos vinhos de Lisboa, mais propriamente a Alenquer e uma das suas histórias Quintas, a Quinta dos Plátanos, de onde sai este Ponto Cego branco 2014. Este vinho resulta da combinação das castas Fernão Pires com Arinto, tendo como seu mentor o produtor Joaquim Arnaud. Um branco num muito bom momento para ser bebido se bem que mostra à vontade para mais uns bons anos em garrafa. Muita frescura num conjunto algo tenso e com bom nervo onde as duas castas dão origem a um conjunto fresco, perfumado e de média intensidade. Será sempre vinho para ir à mesa a acompanhar pratos de bom tempero, que tem estrutura para aguentar o embate por exemplo de um atum braseado. 89 pts

15 fevereiro 2017

Ravasqueira Espumante Grande Reserva 2012


O Monte da Ravasqueira está a proceder ao lançamento de dois novos vinhos de produção limitada que representam dois importantes tributos, o Ravasqueira Espumante Grande Reserva e o MR Premium Touriga Nacional, ambos da vindima de 2012 e que prestam homenagem, respectivamente, ao tapete de Arraiolos e aos 20 anos decorridos sobre a conquista do Campeonato do Mundo de Atrelagem, que teve lugar na Bélgica em 1996, por cavalos lusitanos do Monte da Ravasqueira. A presença dos tapetes de Arraiolos no Monte da Ravasqueira está historicamente ligada à Ermida de Santo António O Velho, templo religioso datado do início do século XVI que fica dentro do perímetro da propriedade e que albergou, até há poucos anos, um muito antigo tapete de Arraiolos que embeleza hoje uma das principais salas da Casa do Monte da Ravasqueira. É justamente esta ligação e historicidade que justificam a homenagem ao tapete de Arraiolos, bem patente no design da sua garrafa e embalagem.

O Ravasqueira Espumante Grande Reserva 2012 é um vinho criado a partir de uvas da casta Alfrocheiro vindimadas à mão e produzido segundo o método tradicional, com a segunda fermentação em garrafa, onde estagiou sobre as borras durante 36 meses. Tudo muito cuidado e rigoroso, assente no bom gosto que sempre pautou por estes lados, sendo este espumante disso um claro exemplo. Compra-se na loja do produtor e paga-se pela qualidade e pela exclusividade de um produto que nos dá a garantia de plena satisfação à mesa, servido em ocasião especial ao lado daqueles que gostamos e que nos acompanham. Mais do que aromas ou sabores é o prazer que nos proporciona, é a frescura, delicadeza e enorme elegância com que se apresenta no copo. É fantástica a ligação que faz com ostras e demais bichos do mar, mas acima de tudo é um vinho para brindar à vida e à amizade. 93 pts

14 fevereiro 2017

As novidades da Herdade das Servas

Herdade das Servas com Estremoz ali ao lado
Dizem que o passar do tempo trás a sabedoria e a serenidade, é também na passada do tempo que os grandes vinhos vão sendo guiados no caminho da excelência. Na Herdade das Servas (Alentejo) esse é o caminho que vem sendo trilhado com sucesso desde que o projecto arrancou em 1999. São sábias as mãos que por ali os vão criando, são essas mãos que lhes dão a capacidade de envelhecimento que as primeiras colheitas ali nascidas nos mostram com garbo nos dias de hoje. Uma adega é como uma universidade, fundamental na transmissão de valores e na educação dos seus vinhos. 

Depois da última visita posso dizer com toda a certeza que a adega da Herdade das Servas é uma verdadeira Universidade que forma vinhos de gabarito para depois os colocar no mercado mais exigente. E como o saber não ocupa lugar, a procura do querer mais e melhor deu lugar à experimentação cuidada e sempre mantida no segredo até que os resultados sejam suficientemente sérios e capazes de conquistar os palatos mais exigentes. É essa vontade de querer sempre mais e melhor que permite que ano após ano sejamos brindados com um vinho diferenciador dos restantes ali criados. São esses mesmos vinhos que me aguçam a curiosidade e que me fizeram deslocar uma vez mais à Herdade das Servas. 

No dia anterior tinha sido aberto, na companhia do enólogo Tiago Garcia, um Herdade das Servas Reserva 2003 que marcado pela casta Alicante Bouschet e que a caminho dos 14 anos, se mostrou em grandiosa forma. Estava lançado o mote para a prova de algumas das mais recentes novidades. 

O desfile das várias novidades da Herdade das Servas

Herdade das Servas Alvarinho 2015: Destaca-se pela boa frescura de aromas que invocam a casta, limpo e com o volume próprio que a casta ganha no Alentejo. Saboroso e cheio de energia, firme com notas de citrinos e leve tropical a terminar seco e prolongado.

Herdade das Servas Reserva Branco 2015: Reparte o lote pelas castas Arinto, Alvarinho e Verdelho, com passagem por barrica que se mostra bem integrada. Amplo e com a frescura da fruta em tons citrinos e de pomar, arredondado pelo madeira mostra-se amplo de corpo, com vigor e elegância.

Herdade das Servas Unoaked 2015: Uma novidade, um topo de gama cujo estágio apenas decorreu em inox durante seis meses, com posterior repouso em garrafa de mais seis meses. O Alicante Bouschet domina o lote, restando pouco para a Syrah e a Touriga Franca. Um vinho cheio de vida com a pujança da fruta bem fresca e madura, amoras e framboesas com tons de ameixa seca, cacau e um ligeiro balsâmico de fundo. Na boca é o lado mais vigoroso e austero das bagas silvestres a mostrarem um tinto saboroso com taninos vivos a darem boa secura no final. Terá uma longa vida pela frente, mas de momento com um ensopado de javali é uma delícia.

Herdade das Servas Reserva 2013: Uma década depois do primeiro Reserva, comemoramos agora com este 2013 onde assistimos a uma valsa entre a Alicante Bouschet e a Cabernet Sauvignon com passagem em madeira durante 12 meses. O vinho é amplo, maduro com a fruta limpa e saborosa, sente-se que está cheio de vida com notas de cacau, tabaco, tudo ainda muito jovem e a pedir tempo. Na boca é alvo da juventude mais inquieta, intenso, cheio e amplo, feito para durar e encantar, tal como continua a fazer o Reserva de 2003.

Herdade das Servas Parcela V 2011: Será a partir de agora o novo topo de gama, oriundo de uma vinha velha, que passa 12 meses em barrica e mais 3 anos em garrafa. O que se destaca no primeiro impacto é a frescura e a elegância de um conjunto repleto de finesse. O perfil é o da casa, um vinho cheio, amplo, estrutura firme, mas neste caso é dono de uma elegância suplementar. Os aromas aconchegam num complexo e rendilhado bouquet, com a boca a mostrar toda a frescura da fruta, amplo, saboroso e de enorme voracidade à mesa.


Frasqueira da Herdade das Servas


13 fevereiro 2017

Blandy’s Terrantez 1977


Não consigo ficar indiferente a um vinho desta qualidade que já conta com 40 anos repleto de vida. Este foi engarrafado em 2015 e mostra-se diferente do anterior lançamento, uma diferença que segundo o que consegui apurar se deve aos lotes/cascos escolhidos. Segundo consta será dos últimos lançamento (o próximo será o 1980) desta casta por parte da Blandy´s uma vez que a vinha que lhe deu origem deu lugar à construção de uma unidade hoteleira nos anos 80. Majestoso e imponente pela classe, detalhe e qualidade de todos os detalhes com que nos brinda no copo. Parece vir em finas camadas, num bouquet rico e complexo, onde a limpeza de aromas e sabores sobressai com notas de passa de figo, frutos secos, toque salino, enorme elegância de conjunto com casca de laranja caramelizada. No segundo plano uma ligeira sensação de toffee que lhe aumenta a sensação de untuosidade a envolver tudo numa prova inesquecível. Produção de 1588 garrafas com preço a rondar os 250€. 97 pts

09 fevereiro 2017

Quinta do Valdoeiro Reserva branco 2010


Feito de Bical, Chardonnay e Arinto, este Reserva 2010 da Quinta do Valdoeiro (Bairrada) mostra que o tempo que já leva em garrafa lhe afinou o espírito. Com boa frescura de conjunto a fruta perdeu parte da exuberância que a definia e surge agora acompanhada de alguma calda, cera de abelha e resina. Sinais do tempo a fazerem-se sentir no copo, complexidade ligeira que o torna agradável sem que se perca pelo caminho com ligeiro amargo vegetal no final de boca. Compra-se por coisa de 10€ e é um vinho pronto para ir à mesa a acompanhar uma Pescada à Galega. 89 pts 

07 fevereiro 2017

Messias Vinha de Santa Bárbara 2011

Mas que bela surpresa este vinho criado pelas Caves Messias na Quinta do Cachão (Douro) a partir da Vinha de Santa Bárbara. Evidencia-se no imediato pela sua identidade muito própria, por mais volta que dê no copo apetece cheirar e beber, perfumado e fresco, com tudo muito bonito e bem aprumado, acetinado com ampla frescura e a fruta suculenta e ácida com as cerejas e mirtilos em destaque. No segundo plano algum cacau, floral suave, cresce no copo e mostra uma muito bonita complexidade. Muita qualidade e prazer que este vinho proporciona por coisa de 20€ e que faz um brilharete à mesa a acompanhar uns lombinhos de porco no forno com migas de couve e batatinhas. Pode ser bebido desde já ou ir sendo consumido nos próximos anos que continuará em grande forma. 92 pts

06 fevereiro 2017

Caiados de fresco by Adega Mayor


Situada em Campo Maior (Alentejo), fica a Adega Mayor de onde nos chegam estas três referências da marca Caiado que funcionam como entrada de gama do referido produtor. Apresentaram-se na colheita de 2015 com uma nova roupagem, pelo que se pode dizer que estão caiados de fresco. Disponíveis em tinto, rosé e branco, são vinhos onde a fruta é dona e senhora de todas as atenções. Destaca-se essencialmente a cuidada imagem, mas acima de tudo a qualidade que nos apresentam no copo torna-os vinhos bastante agradáveis, frescos, alegres e a pedirem mesa e companhia à sua volta. Como curiosidade estágio em inox é comum aos três vinhos em causa.

O Caiado branco 2015 feito a partir do lote das castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, com os aromas frescos e maduros, limpos de uma fruta muito sumarenta e perfumada. A acidez dá a frescura suficiente para lidar com os mais triviais petiscos que nos surjam à mesa e porque não as Sopas de Cação ou uma Caldeta do Rio, tem estofo para tal e o problema é em conseguir ter garrafas suficientes para todos aqueles que se juntem à nossa mesa. 88 pts

No interlúdio entre peças, diga-se pratos, abrimos o Caiado Rosé 2015 que é filho das castas Aragonês, Castelão e Touriga Nacional. Mudam os aromas e muda o tom, mudamos pois para os morangos, amoras e ameixa, tudo maduro e com um toque guloso de rebuçado. Picamos uma rodela de chouriço frito, depois mais outra, agora um bocadinho de farinheira sem problemas que o vinho aguenta pois tem frescura suficiente para tal. Damos conta e temos à frente umas Sopas de Tomate com Capelas, este Rosé como bom Alentejano porta-se à altura e quando damos conta no final nem Sopas nem vinho. 88 pts

Aguardamos então com o Caiado tinto 2015, custa coisa de 4€, pelo próximo prato. Este tinto criado a partir do lote Aragonês, Trincadeira e Alfrocheiro mostra o lado mais morno da planície, sem por isso ter a sua dose de frescura e candura. Afinal de contas as Burras de Porco Preto tinham sido lentamente estufadas, ou direi caiadas, por este tinto. Uma combinação perfeita com o vinho a mostrar ter estrutura e frescura suficientes para a empreitada. 89 pts

01 fevereiro 2017

Herdade do Perdigão Reserva, grandes vinhos com nova imagem


A Herdade do Perdigão, propriedade de Carlos Gonçalves desde 2003, fica situada em Monforte. A história dos Reserva remonta outros tempos e começou na colheita de 1999 com o lançamento do primeiro Herdade do Perdigão Reserva tinto. Com a mudança de proprietário a qualidade dos vinhos manteve-se inalterada e têm conseguido até aos dias de hoje manter uma consistência assinalável. As mudanças apenas se têm reflectido nos rótulos, sempre num registo muito sóbrio e formal, para que agora surjam novamente renovados. É caso para dizer que muda a camisola mas a qualidade mantém-se inalterada a como sempre nos acostumou. Em prova as duas novas colheitas do Herdade do Perdigão Reserva, tinto 2014 e branco 2015.


Herdade do Perdigão Reserva branco 2015: um 100% Antão Vaz que passou por barrica durante seis meses. Se nas primeiras colheitas a barrica se fazia notar em demasia e tirava todo o protagonismo à fruta e entusiasmo ao vinho, agora temos precisamente o contrário. É a fruta que manda durante toda a prova, ganhando ligeira untuosidade do tempo que esteve na barrica, mas de resto é um conjunto dotado de uma bela frescura que o envolve e lhe dá a energia suficiente durante toda a prova. Será sempre um branco que combina bem com pratos de peixe assado no forno ou com carnes brancas. 92 pts



Herdade do Perdigão Reserva 2014: o lote mantém-se fiel às castas Trincadeira, Aragonez e Cabernet Sauvignon com passagem durante 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Num perfil mais clássico sente-se o bom vigor da juventude marcado pela fruta (ameixa, bagas) ainda muito viva e pela madeira, tosta, baunilha, que pede algum tempo em garrafa para estar em plena harmonia. Em fundo uma boa nota de pimenta preta, num conjunto amplo e estruturado com muito tempo pela frente. No palato é marcado pela fruta, travo vegetal fresco, algo de terroso em pano de fundo com final persistente. Um belíssimo tinto, ronda os 15€ e que merece ser apreciado mas sobretudo guardado pois é com tempo que ele melhor se mostra à mesa. 93 pts
 
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