Copo de 3: Novembro 2017

19 novembro 2017

Grandjó Late Harvest 2013



É a GRANja De Ali (Real Companhia Velha) que dá o nome a este branco doce elaborado a partir de uma criteriosa selecção de uvas da casta Semillon, afectadas por podridão nobre (botrytis cinerea). A localização privilegiada da Quinta do Casal da Granja, no planalto de Alijó, com um microclima muito próprio com manhãs de nevoeiro e tardes quentes e húmidas, criam as condições ideais para o desenvolvimento em algumas parcelas do fungo responsável pela podridão nobre. Tem uma produção que não chega às 6.000 garrafas com preço a rondar os 18€.

Apresenta-se com uma finíssima nota glicérica, com as notas características de Sauternes, tudo muito limpo e de grande qualidade com algum tropical seguido de alperce em calda, ligeira tosta em fundo, com toque de doçura equilibrada no imediato com a sensação de frescura do conjunto, que se repete no palato. Belíssimo equilíbrio do conjunto, fresco, delicado e ao mesmo tempo conquistador num longo e persistente final. 95 pts

Quinta do Noval Colheita 1937


O ano de 1937 foi marcado pela coroação do Rei George VI de Inglaterra, data em que a ponte Golden Gate (São Francisco) foi também inaugurada e J. R. R. Tolkien publica 'The Hobbit'. Apenas um vinho como este Quinta da Noval Colheita 1937 poderia estar à altura de tamanhos acontecimentos. Estrondoso tawny velho a mostrar uma fantástica complexidade, fruto seco, grande definição, especiarias, marmelada, caixa de tabaco e madeira velha. Palato luxuoso, com uma belíssima acidez. Tudo muito equilibrado com camadas de sabor que nos guiam num final interminável e sedutor. 97 pts

18 novembro 2017

Trimbach Riesling 2013


A casa Trimbach produz vinho desde 1626 e cedo ganhou notoriedade pelos seus vinhos. Este Riesling é um clássico cujo preço ronda os 15€. É o que se pode chamar um vinho de compêndio no que toca a conhecer a casta num branco seco. Sem tremores nem quebras a meio caminho, tem tudo no sítio conforme esperado. De perfil seco, mostra-se muito elegante e coeso com as notas da casta bem evidentes (malmequer, lima, alperce) em fundo mineral, tudo muito limpo e bem definido, o tempo deu-lhe o já usual toque de gasolina. Belíssimo corpo com a presença de alguma fruta na vertente mais sumarenta de inicio com alperce e depois mais ácida a lembrar uma rodela de limão, que faz disparar a acidez num final de boca seco e bem persistente. 91 pts

17 novembro 2017

Côto de Mamoelas Bruto Reserva Espumante 2014


A Provam é uma sociedade de 10 vitcultores da sub-região de Monção e Melgaço, que decidiram, em 1992, construir uma adega moderna e funcional para produção de vinhos da casta Alvarinho e de Alvarinho/Trajadura. O seu Vinha Antiga foi um dos primeiros Alvarinhos a ter passagem por madeira e o Portal do Fidalgo Alvarinho é um branco bem conhecido da nossa mesa. Desta vez o que nos cai no copo é o espumante Côto de Mamoelas Bruto Reserva 2014, com preço a rondar os 12€. Aroma delicado com a fruta característica da casta bem presente, tudo muito bem embrulhado numa boa dose de frescura, algum biscoito muito ligeiro a dar um extra de complexidade. Boa frescura de boca com bolha fina, elegante e fresco com a fruta a tomar o controlo das operações, num final seco e prolongado. 90 pts 

16 novembro 2017

Palácio da Brejoeira Alvarinho 2016

O Alvarinho do Palácio da Brejoeira nasceu pelas mãos de Amândio Galhano na colheita de 1976 e cedo ganhou o estatuto entre as referências da altura. Passados 40 anos a realidade trouxe uma nova vaga de produtores e um consequente aumento da oferta/qualidade dos vinhos brancos Portugueses. Abrir nos dias de hoje um Brejoeira é encontrar no copo um vinho que não acompanha os quase 17€ que pedem por ele. É um Alvarinho fresco, de aromas finos e delicados, com pêssego, erva cidreira num conjunto aprumado, ligeiramente citrico com leve secura de fundo e um final mais curto que o desejado. Falta-lhe confirmar no copo um estatuto que já teve e do qual parece viver. 89 pts 

14 novembro 2017

Bebes.Comes Collection 2014


O Pedro e a Joana são um casal apaixonado que queriam ter um vinho. Dessa vontade nasceu um projecto que nos dias de hoje tornou esse sonho uma realidade. Um vinho com conceito, os Collection como lhes chamaram é isso mesmo, uma colecção de vinhos escolhidos pela sua singularidade, terroirs distintos e de certa forma que se desmarcam do trivial. A acompanhar convidam artistas plásticos para vestir as suas garrafas, o resultado é brilhante e digno de colecção, até porque a tiragem é bem limitada (1700 garrafas neste caso). Nesta segunda edição o coube ao artista João Noutel a parte gráfica, enquanto a enóloga Rita Marques foi a autora deste tinto Duriense. 

Vinho raçudo e cheio de energia, muita vida da fruta bem madura e compacta, estevas, notas de grafite com amparo de leve chocolate preto de fundo. Respira-se Douro, ainda cerrado e com alguma austeridade a pedir tempo, na boca está com muita energia, nervo, fundo coeso e apimentado com os taninos a pedirem tempo para se acomodarem. Comprar agora por coisa de 25€ e deixar repousar uns bons anos pois potencial não lhe falta. 93 pts

11 novembro 2017

Chispa Negra El Paso del Tiempo


Um daqueles que bebemos uma vez por sorte e ficamos com ele bem guardado na memória. Antony Terryn nasceu em França mas foi nas suas viagens pelo mundo que decidiu assentar na zona de Toro e ali fazer os seus vinhos no Dominio del Bendito. Numa das suas últimas vindas a Portugal disse-me que tinha algo de muito especial que queria dar a provar. E foi assim que num jantar apresentou em primeira mão este El Paso del Tiempo. A carga emocional da sua explicação está ao nível da qualidade do respectivo vinho, um lote único de 386 garrafas de 50cl a preço de 38€ criado numa unica barrica de 500 litros, da qual se retirou fruto das colheitas 2006, 2008, 2009 e 2011 do Chispa Negra cerca de 184 litros. A barrica foi atestada na mesma quantidade da colheita mais recente.

Como em todos os seus vinhos, destaca-se a pureza da fruta bem carnuda, suculenta e com uma dose de doçura muito equilibrada a contrastar com a frescura, numa complexidade fina e rendilhada que nos prende ao copo. Imagine-se um Porto Vintage ao estilo tinto da Borgonha no estilo menos concentrado mas com uma qualidade muito acima da média. Foi beber até ao fim. 94 pts

09 novembro 2017

Dalva Porto Colheita Branco 2007

A C. Da Silva é uma casa de forte tradição no Vinho do Porto, fundada em 1862, bem conhecida pelos seus fantásticos Golden White de 1952, 1963 e 1971. Em prova temos o Colheita White 2007 que será, daqui por uns largos anos em cascos, lançado na série Golden White. Por enquanto podemos deliciar-nos com esta versão mais jovem de aroma elegante e que mistura citrinos cristalizados e geleia dos mesmos, alperce, algum fruto seco a conferir untuosidade ao conjunto com fundo fresco e doce. É um vinho fantástico, o preço ronda os 25€, indicado para abrilhantar o final de uma refeição e também, uma entrada com o pé direio para quem desconhece este tipo de vinho. 93 pts

07 novembro 2017

Grande Rocim Reserva Tinto 2013


O Grande Rocim apresenta-se apenas nos melhores anos, como o topo de gama da Herdade do Rocim. Criado a partir da casta Alicante Bouschet, afirma-se a cada lançamento como um super vinho, pela sua envergadura, músculo e também finesse com que se apresenta. Se tivermos em conta a prova de excelência que dá neste momento a versão 2009, ficamos com a garantia que são feitos para perdurar no tempo. Este 2013 está ainda com toda a sua força e pujança, o prazer que proporciona é muito, com fruta bem madura, toque balsâmico, fino cacau, conjunto coeso e profundo. Boca de grande impacto com enorme presença a mostrar um vinho poderoso, amplo, fresco, muito boa estrutura com frutos do bosque a explodir de sabor ao lado de algum bálsamo, quase que se mastiga, terminando longo com travo de especiaria. Tudo com grande detalhe, enorme estrutura num conjunto coeso, limpo e fresco. Na linha das anteriores colheitas o preço ronda os 50€ com a garantia que se leva para casa um grande vinho. 95 pts

06 novembro 2017

Cálem Colheita 1989


Nasce nas Caves da Cálem este Colheita 1989, engarrafado em 2010, de aroma convidativo, complexo e sedutor. Marcado pelo fruto seco com alfarroba e figo em passa, muito coeso, ligeiro caramelo salgado, algum verniz e notas licoradas com folha de tabaco seco. Boca cheia de sabor, arredondado de inicio com fresco e prolongado final, onde a secura e a nota de fruto seco predomina, enquanto de inicio nos seduz com notas mais mornas e doces como as passas de figo. Grande harmonia e equilíbrio num conjunto de grande qualidade a dar muito prazer a solo ou à mesa. Compra-se por coisa de 45€ 94 pts.

04 novembro 2017

Cartuxa 50 Licoroso Reserva 2011


Cinquenta anos depois de Vasco Maria Eugénio de Almeida ter criado a Fundação Eugénio de Almeida, para promover o desenvolvimento social, cultural, educativo e espiritual da região de Évora, a Instituição renova-se no compromisso de fazer mais pelas pessoas, para mais pessoas e comemorou o seu cinquentenário. Neste âmbito, foi elaborado este Licoroso a partir das castas Alicante Bouschet e Syrah. O vinho estagiou durante 2 anos em barricas usadas, feitas com a madeira dos antigos tonéis onde estagiava o famoso Pêra Manca. Mostra-se amplo, guloso e com uma bonita frescura que lhe dá graciosidade, muita fruta passa, compotas, alguma canela e cacau. Na boca é um festim de passa de figo com ameixa, guloso, bem marcado pela frescura com final longo, ainda alguma austeridade a fazer-se sentir, mas muito persistente. 93 pts

03 novembro 2017

Aliás branco 2014


É da Bairrada renascida que nos últimos anos surgiram uns quantos novos projectos, como este VPuro, que passo a passo se têm afirmado como referências da região. Este Aliás enquadra-se nesse lote e é disso um puro exemplo. Na alma tem a magia da vinha velha 100% Bical. Mostra-se fino e muito elegante, com aquelas notas de uma evolução que se faz sentir ao de leve na sua complexidade. Um grande branco que gosta de respirar em copo largo, amplo com muita frescura e harmonia nas linhas que cozem os tons florais com os citrinos, a cêra de abelha e aquele toque mais terroso e mineral que se instala no fundo. Na boca replica o apresentado, sério com a austeridade mineral em fundo, pelo meio a pureza da fruta vai abrindo caminho e sorrisos. 94 pts

02 novembro 2017

Vidigueira Signature branco 2016

É recente este Signature da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito (ACVCA), um vinho que apenas pode ser encontrado nas prateleiras da loja da Adega e dos super e hipermercados Continente. Feito a partir de lotes de Antão Vaz, Perrum e Arinto, o Branco Vidigueira Signature 2016 estagiou três meses em barricas de carvalho francês. Assinado pelo enólogo da casa, Luis Morgado Leão o vinho mostra aromas limpos e maduros, muita fruta com laivo tropical e citrino banhados por alguma frescura ao mesmo tempo que o toque da baunilha o envolve. Um branco elegante fácil de se gostar a mostrar qualidade acima da média. O preço ronda os 5€ em campanha de promoção. 89 pts
 
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